Cidades

"Misto de motivação política e passional", diz delegado sobre morte de radialista em Goiás

De acordo com o delegado Quéops Barreto, vereador de Edealina é apontado como mandante do crime

Reprodução/Facebook
Jefferson Pureza foi morto a tiros em sua casa, em Edealina

O vereador José Eduardo Alves da Silva (PTB), de 39 anos, foi preso na manhã desta sexta-feira (9), durante a Operação Nuntius, apontado como mandante da morte do radialista Jefferson Pureza, em Edealina, no Sul de Goiás. "Foi um misto de motivação política e passional. O Jefferson teve uma relação com a ex-mulher desse vereador", disse o delegado Quéops Barreto, responsável pelas investigações.

Além de José Eduardo, policiais civis prenderam dois homens temporariamente e apreenderam um adolescente, suspeitos de participação no crime. Quéops informou ainda que o vereador confirmou que tinha planejado o assassinato de Jefferson Pureza, mas não confessa a execução do crime.

O radialista foi assassinado em 17 de janeiro deste ano em sua casa, em Edealina, município de 4 mil habitantes a 154 quilômetros de Goiânia. Ainda de acordo com o delegado, as investigações continuam para identificar a ação de cada um no crime.

Em um dos seus programas, o radialista Jefferson Pureza contou que estava sofrendo ameaças de morte há cerca de um ano e contou que seus desafetos eram o vereador José Eduardo, preso na manhã desta sexta, e o ex-prefeito João Batista Rodrigues, conhecido como Batista Boiadeiro.

Jefferson chegou a mandar um recado para o vereador. “Chega bem pertinho do rádio para ouvir o que vou falar: eu não tenho medo de você, não tenho medo do ex-prefeito, não tenho medo de ninguém porque estou pautado pela verdade e tem uma comunidade que me defende. Se alguma coisa me acontecer nessa cidade, grave esses dois nomes: vereador José Eduardo e o ex-prefeito Batista Boiadeiro. Posso até morrer nessa cidade, mas vou morrer falando a verdade, doa a quem doer”.

Na época, O POPULAR localizou em Edealina o vereador eleito em 2016 pelo PR. Econômico nas palavras, não prolongou muito a conversa dizendo apenas que jamais fez o comentário mencionado pelo radialista. “Não imagino de onde surgiu isso”, afirmou, sobre a informação da contratação dos capangas. “Eu nunca nem conversei com esse Jefferson”, disse. José Eduardo afirmou também que, caso seja chamado para depor estará pronto.

O ex- prefeito João Batista Rodrigues, o Batista Boiadeiro, negou veementemente que tivesse ameaçado o radialista, mas comentou que seu assassinato não o surpreendeu por se tratar de uma pessoa que “falava de todo mundo, não respeitava ninguém e fazia espetáculo”. Batista Boiadeiro ajudou a eleger o atual prefeito de Edealina, o médico Winícius Arantes de Miranda (PTC). 

Divulgação/Polícia Civil
Prisão de um dos suspeitos de participação na morte do radialista Jefferson Pureza
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