A vinda dos irmãos Câmara para Goiás foi um marco em muitos sentidos. A família, formada no Rio Grande do Norte, encontrou no Centro-Oeste brasileiro, sobretudo em uma nova capital que surgia no meio do Cerrado, oportunidades de realizar projetos grandiosos, de prosperar e imprimir sua marca. O Estado, agitado por uma mudança política profunda com a Revolução de 1930 e o fim da República Velha, incentivava empreendedores dispostos a modernizá-lo. Goiânia, ainda em construção, abriu espaço para novos projetos que lhe dessem sustentação.

Foi justamente o caçula dos irmãos, Jaime Câmara, que revelou maior tino para os negócios. Logo ao chegar à cidade de Goiás, em 1933, começou a trabalhar e, apoiado por Joaquim Câmara Filho, iniciou o que seria um dos mais importantes grupos de comunicação do País. Já em 1935, fundou sua primeira tipografia na antiga capital goiana, em sociedade com Henrique Pinto Vieira. A Tipografia Popular foi a responsável por publicar um jornal em miniatura, chamado Vossa Senhoria, e um informativo de cunho mais político, A Razão, entre outras publicações.

O futuro, porém, não estava lá. Jaime Câmara transferiu-se para Goiânia e em 3 de abril de 1938 editou o primeiro número de O Popular, que saiu com 3 mil exemplares, custando $500 réis, algo como 50 centavos na época.

Antes situado em uma sede modesta perto do Córrego Botafogo, depois instalado em um prédio em estilo art déco em plena Avenida Goiás – o primeiro prédio particular da avenida e um dos primeiros edifícios com mais de dois pavimentos construídos na nova capital e que hoje é um patrimônio histórico, o jornal O Popular foi um marco para a cidade que nascia. Em breve, os serviços da gráfica, a única que existia em Goiânia até então, passaram a ser demandados por clientes de outros estados. Os negócios da família expandiram-se e, com a morte precoce dos irmãos, coube a Jaime Câmara manter a empresa.

Com visão estratégica, Jaime Câmara percebeu que um grupo de comunicação deveria diversificar sua atuação. Em 1961, a Rádio Anhanguera, hoje Rádio Daqui, foi incorporada ao grupo. Dois anos depois, em 1963, o empresário deu um passo ousado, apostando na nova mídia que conquistava o público nacional: a televisão. Surgia a TV Anhanguera, que nasceu dois anos antes da própria Rede Globo, da qual se tornaria afiliada e retransmissora em Goiás, incluindo o território que hoje compreende o Tocantins.

A carreira política do irmão mais velho Joaquim Câmara, que foi prefeito de Paracatu (MG), Pires do Rio e Anápolis, inspirou Jaime Câmara. No dia 19 de outubro de 1958, a capa de O Popular trazia na manchete sua eleição para prefeito de Goiânia, com 17.018 votos. Ele já havia ocupado as secretarias de Agricultura e de Viação e Obras Públicas do Estado. Mais tarde, elegeu-se suplente de deputado federal, assumindo o mandato em duas oportunidades. O Ato Institucional Nº 5, editado pela ditadura militar em 1968, cassou os direitos políticos de Jaime Câmara em 1969. Em 1982 foi eleito novamente e voltou à Câmara.

Jaime Câmara permaneceu administrando o grupo que criou, lançando em 1972 o Jornal de Brasília e inaugurando outras retransmissoras de TV pelo interior de Goiás, além de abrir novas emissoras de rádio. O empresário morreu em 1989, deixando um grande legado não só na área da comunicação. Ele também teve relevância em setores sociais e em espaços empresariais, sempre lutando pelo desenvolvimento do Estado. No trato pessoal, ficou a lembrança de um homem solícito e pronto a ajudar quem precisasse.