Cinco anos é um período longo o suficiente para adquirir experiência, mas também pode ser um intervalo curto diante do sucesso amealhado, das conquistas realizadas, da influência exercida em sua área de atuação. Para a banda Boogarins, as duas leituras são válidas. Benke Ferraz, Fernando Almeida e Raphael Vaz, juntos desde o início, têm cinco anos inesquecíveis para contar. Hans Castro, o outro integrante da formação inicial, deu lugar a Ynaiã Benthroldo, que ingressou no grupo de rock psicodélico em 2014. Juntos, têm derrubado uma barreira atrás da outra.

“Desde moleques, todos nós íamos aos shows dos festivais de rock que aconteciam em Goiânia. Acho que essa cena roqueira na cidade está inteiramente ligada à nossa trajetória”, afirma Benke. “Eu e o Dinho [Fernando] nos conhecemos no Instituto Federal Goiano, onde estudávamos. O restante da banda chegou a partir dessa cena rock. Eles tocavam em outras bandas.” Em entrevista a O Popular concedida em 2013, Benke admite que a ideia inicial sequer era formar uma banda. Ele e Dinho se reuniam para gravar aleatoriamente, tirar um som sem maiores pretensões.

O primeiro disco, As Plantas que Curam, nasceu dessas experimentações descompromissadas. Pela internet, começaram a mostrar suas composições. E o cenário da música atualmente tem ainda menos fronteiras do que sempre teve. Um empresário norte-americano topou com aquele conteúdo compartilhado, gostou do que ouviu e entrou em contato com a rapaziada. Contato que veio acompanhado com uma proposta de contrato. E assim a Boogarins iniciava uma trajetória que faz dela a banda de rock nacional com maior prestígio no exterior atualmente.

O peso de estar sob os holofotes não é um problema para os garotos, hoje com 25 anos de idade. “É uma responsabilidade que gostamos de ter”, resume Benke. E que aumenta. A Boogarins já recebeu elogios de publicações como a revista Rolling Stones e uma ampla matéria nas páginas do The New York Times. Também concorreu ao Grammy Latino e passou a participar de todos os principais festivais de rock do País, como Porão do Rock e Lollapoloza, e alguns do exterior, como o Rock In Rio Portugal, sendo convidados até para tocar na edição deste ano do Coachella, nos EUA.

“Essa visibilidade nunca foi um problema porque nossa meta inicial não era perseguir essa fama. Nosso principal objetivo foi fazer o som que queríamos fazer, fazer as coisas que achamos certas. Nosso trabalho reflete essa verdade que temos”, alega Benke. Em sua opinião, a ascensão que experimentam é uma mistura de fatores. “Acho que era o tipo de som que as pessoas queriam ouvir naquele momento. Tivemos gente que acreditou em nosso trabalho e sorte para encontrar esse ambiente favorável. O importante, no fim das contas, é fazer boa música.”

A qualidade é algo de que os rapazes da Boogarins não abrem mão. Eles se reinventam o tempo todo. Uma das provas disso é o álbum Manual ou Guia de Livre Dissolução dos Sonhos, que lhes valeu uma indicação para o Grammy Latino, em que, além de canções novas, o grupo apresentou arranjos revigorados de antigos sucessos. Com uma agenda de shows repleta de compromissos, eles não descuidam da produção bem arquitetada nas apresentações e não abdicam de um período para criar e repensar os caminhos da carreira, com criatividade e planejamento.

“O desafio agora é fazer com que nossa carreira seja sustentável lá fora, onde nosso trabalho tem uma recepção até melhor que no Brasil”, anuncia Benke. Isso passa por saber aproveitar as oportunidades que surgem para tocar com grandes nomes, em eventos relevantes, estando ao lado dos melhores. Da cena roqueira goianiense surgiram diversas bandas. “Acontecer com outro grupo o que aconteceu conosco é possível, claro, mas não é fácil. Não queremos iludir ninguém, sem fantasias. Mas queremos estimular que continuem batalhando.” Referências já não faltam.