Vida Urbana

Sustentabilidade vai para o lixo

Apenas 4,6% do lixo produzido na capital é reaproveitado, enquanto índice deveria ser de 31%. Frequência de coleta diminuiu

PABLOP

A coleta seletiva em Goiânia recolhe anualmente apenas 4,6% do lixo produzido pela população, enquanto deveria recolher 31%, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Sendo assim, mais de 26% do lixo destinado ao aterro sanitário – 118.329 toneladas - poderiam ser reciclado.

Desde que começou, há oito anos, a frota de caminhões da coleta seletiva em Goiânia aumentou apenas um veículo. Hoje, o serviço é prestado por 16 caminhões que coletam cerca de 120 toneladas de material reciclável por dia, segundo estimativa do presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Edilberto Dias. A engenheira ambiental Adjane Damasceno de Oliveira, professora do curso de Engenharia Ambiental da Pontifícia Universidade Católica de Goiás( PUC Goiás) afirma que desde 2010 não há aumento na frota que atende ao programa de coleta seletiva do município. “Porém a população goianiense apresenta um crescimento de quase 2% ao ano.”

A periodicidade com que os veículos percorrem os bairros da capital diminuiu com o passar do tempo. Dos 13 setores que contavam com a coleta diariamente restou apenas um, Campinas, segundo o circuito da coleta seletiva divulgado no site da Prefeitura de Goiânia. Dos 534 bairros que fazem parte do circuito da coleta seletiva, os 24 mais centrais passaram a receber a visita dos caminhões três vezes por semana e os demais uma única vez ou a cada 15 dias. Na opinião de Adjane, vários fatores entravam o sistema de coleta seletiva em Goiânia, dentre eles a falta de investimentos no setor, de regularidade, de frequência e de programas continuados de educação ambiental e incentivo à participação da sociedade. “A participação da sociedade é essencial para que a coleta seletiva tenha resultados satisfatórios.”

Dias afirma que a estrutura de coleta seletiva da Comurg é suficiente para recolher o material reciclável descartado pela população e que as 16 cooperativas de reciclagem cadastradas na prefeitura não conseguem fazer a seleção de uma quantidade maior de material. De acordo com os dados de Edilberto Dias, as cooperativas receberiam em média 7,5 toneladas de material por dia. Dulce Helena do Vale, da Cooperativa Central das Cooperativas de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis Unidos Somos Mais Fortes (Uniforte), não confirma a informação. Segundo ela, há dias que as cooperativas ficam sem trabalhar ou trabalham apenas um período por falta de material. De acordo com ela, as cooperativas com maior numero de cooperados recebem no máximo 3 toneladas de material por dia e não vendem mais que 60 toneladas de material selecionado por mês.

Esse também é o dado da Incubadora Social Cata Sol, da UFG, que acompanha a venda de materiais recicláveis em nove cooperativas que participam do programa de coleta seletiva da Comurg. Segundo o coordenador do projeto, professor Fernando Bartholo, uma das cooperativas da incubadora vendeu 60,7 toneladas de material para reciclagem em 2014. Duas mil toneladas a menos que em 2013 em razão “da crise da coleta no município no primeiro semestre do ano quando houve a paralisação dos serviços de coleta por cerca de 2 a 3 meses”, explica. Mas somando a produção das 15 cooperativas que atuaram em 2014, o valor médio de material comercializado foi de 40,73 toneladas, segundo o boletim econômico da incubadora daquele ano. Pouco mais do que foi vendido em 2011 (39,72 t) por cinco cooperativas e menos do que foi comercializado em 2013 (45,87 t) por seis cooperativas.

Na opinião do professor, em relação ao ano de 2008, houve um incremento na quantidade de material reciclável coletada, uma vez que aumentou o número de cooperativas que atuam na coleta seletiva em Goiânia. O programa começou com quatro cooperativas no início do ano de 2008 e no final havia seis cooperativas em funcionamento; em 2010 eram oito; em 2012, 12 cooperativas; em 2014, 14 e em 2015, 15 cooperativas. Hoje, são 16, segundo o presidente da Comurg. Mas em 2014, com 14 cooperativas, se vendeu menos material que em 2013, quando havia seis cooperativas cadastradas.

PABLOP
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