Política

'Uma ou outra' remessa de carne pode ter tido objeção sanitária, diz Temer

Presidente destacou que o número de funcionários públicos envolvidos (33) é pequeno em comparação ao tamanho do quadro do Ministério da Agricultura, de mais de 11 mil servidores

Beto Barata/PR
Michel Temer

Durante a defesa do sistema sanitário do Brasil, diante da polêmica gerada pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, o presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta segunda-feira (20), em São Paulo que "uma ou outra" das 853 mil partidas de carne in natura ao exterior no ano passado pode ter recebido alguma objeção por questões sanitárias.

Assim como no domingo, Temer destacou que a "grande maioria" das remessas que receberam algum tipo de observação foi por questões burocráticas, como certificação ou documentação. "E não exatamente sanitária, uma ou outra poderá ter sido", disse. 

Temer afirmou que os números apresentados pelo governo "espantam" qualquer dúvida em relação ao produto nacional. A uma plateia de empresários que têm relação com os Estados Unidos, o presidente disse que o Brasil tem um sistema sanitário "rigorosíssimo" e que os produtos embarcados são novamente inspecionados nos países de destino.

A operação deflagrada na última sexta-feira (17) atingiu algumas das maiores empesas do ramo alimentício do país, como JBS, BRF e Peccin, acusadas de praticar uma série de fraudes para ocultar o uso de matéria-prima vencida ou de qualidade inferior na fabricação dos produtos.

Temer destacou que o número de funcionários públicos envolvidos (33) é pequeno em comparação ao tamanho do quadro do Ministério da Agricultura, de mais de 11 mil servidores. “Nós temos sistemas rigorosíssimos de avaliação sanitária aqui no Brasil”, enfatizou o presidente. Os servidores são acusados de receber propina para liberar produtos que não atendiam às normas legais. De acordo com ele, também é pequeno o número de plantas industriais sob suspeita (21), tendo em vista o tamanho do setor, que conta com mais de 4,8 mil estabelecimentos.

O presidente mencionou ainda os diversos encontros que teve nos últimos dias, tanto para se inteirar do assunto, quanto para tranquilizar os países importadores de alimentos brasileiros. “Eu tive várias reuniões em Brasília. Primeiro, com os ministros das áreas envolvidas com essa matéria. Depois, com as associações dos produtores de carne da mais variada espécie e com os embaixadores dos países que importam a carne brasileira. E acabamos, muito fraternalmente, comendo um churrasco na noite de ontem com todos os representantes dos países que lá se achavam”, disse.

Conversa com Trump

Temer comentou sobre o telefonema recebido no último sábado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foi a segunda conversa telefônica entre os dois. “Ambos concordamos em levar adiante uma agenda de investimentos. Tanto que Sua Excelência disse: 'precisamos fazer logo uma reunião aqui nos Estados Unidos ou no Brasil com empresários brasileiros e americanos'”, disse ao explicitar parte do teor do diálogo.

Para melhorar o comércio bilateral, o presidente disse que tem buscado reduzir os entraves para importações e exportações no Brasil. “Não sem razão que nós estamos reduzindo a burocracia”, enfatizou.

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