Política

Palocci diz estar disposto a revelar “nomes e operações”

Em negociação de acordo para delação premiada, ex-ministro Antonio Palocci é o primeiro político da alta cúpula do PT a propor revelações

Suellen Lima/Framephoto/Folhapress
Antonio Palocci afirmou que espera determinação do juiz Sérgio Moro para apresentar todos os fatos

Em processo inicial de negociação de um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, o ex-ministro Antonio Palocci ofereceu ao juiz federal Sérgio Moro “um caminho” que fará “bem ao Brasil” com informações de interesse da Operação Lava Jato.

“Fico à sua (Moro) disposição hoje e em outros momentos porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o senhor quiser. Se o senhor estiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o senhor determinar, eu, imediatamente, apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser, certamente, do interesse da Lava Jato.”

Palocci é o primeiro político da alta cúpula do PT a negociar acordo de delação com a Justiça. Essa possibilidade chegou, inclusive, a preocupar o mercado financeiro nesta semana pelo rumor de que o ex-ministro possa envolver nomes ligados a instituições bancárias.

Preso desde setembro, Palocci disse que a Lava Jato “realiza uma investigação de importância”. “Acredito que posso dar um caminho, que, talvez, vá dar um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”.

O ex-ministro da Fazenda (governo Lula) e da Casa Civil (primeiro governo Dilma) foi interrogado em ação penal sobre lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva relacionados à obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de sondas com a Petrobrás.

Palocci afirmou que não iria “dizer que nada corresponde à realidade” ao responder sobre a suspeita de ser o “Italiano” registrado na planilha de conta corrente da Odebrecht.

Segundo ele, Marcelo Odebrecht “nunca” o chamou de Italiano. “Vou dizer que eu jamais orientei ou organizei pagamentos ou operei caixa 2 junto ao Marcelo (Odebrecht). Jamais isso aconteceu.”

Caixa 2

Palocci contestou valores pagos ao PT durante campanhas eleitorais. “Digo mais. Do que eu sabia, porque não lidava com isso, do que eu sabia dos recursos de campanha e de dívidas de campanha com marqueteiros, parece-me que esses valores são bem diferentes do que eu tinha de informações.”

O ex-ministro também afirmou, assim como Marcelo já declarou à Justiça, que o caixa 2 é prática ilícita recorrente. “Todo mundo sabe que teve caixa 2 em todas as campanhas.” Palocci não apontou, especificamente, para nenhuma disputa.

“Eu não me sinto em condições de falar o que todo mundo está falando, que nada existiu, que tudo foi aprovado nos tribunais. Não, todo mundo sabe que teve caixa 2 em todas as campanhas”, disse o ex-ministro.

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