Política

Lula pediu para destruir provas, diz empresário

Ricardo Stuckert / Instituto Lula

O empresário Léo Pinheiro, sócio da OAS, disse em depoimento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu em 2014 que destruísse provas de pagamento de propina ao PT. Segundo Pinheiro, Lula e ele discutiam sobre os pagamentos em maio de 2014, dois meses depois de a Lava Jato ter sido iniciada.

O ex-presidente teria perguntado se a OAS pagava propina ao PT no Brasil ou no exterior, segundo o relato feito pelo empreiteiro. Pinheiro respondeu que pagava no Brasil. Lula quis saber, então, se Léo Pinheiro mantinha os registros dos pagamentos feitos ao tesoureiro do PT à época, João Vaccari Neto. Pinheiro disse que “não costumava fazer isso”.

O ex-presidente teria dito, segundo Pinheiro: “Você tem algum registro de algum encontro de contas, de alguma coisa feita com João Vaccari? Se tiver, destrua”. Em maio de 2014, a Lava Jato tinha prendido o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, mas só chegaria aos donos das empreiteiras em novembro.

Condenado a 39 anos de reclusão e preso pela segunda vez desde setembro do ano passado, Pinheiro negocia um acordo de delação. A defesa de Lula diz que a versão sobre destruição de provas é mentirosa e foi combinada com procuradores.

Tríplex

Pinheiro prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro no processo sobre a reforma de um tríplex em Guarujá (SP), no qual ele e Lula são réus. O Ministério Público afirma que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em propina paga pela OAS, oriunda de contratos da Petrobras. O valor teria sido investido na reforma do tríplex.

O empreiteiro afirmou que o apartamento pertencia ao ex-presidente Lula. A audiência foi tensa. Moro e o advogado de Lula elevaram o tom de voz e discutiram diversas vezes.

Segundo Pinheiro, foi Vaccari quem o procurou para participar do empreendimento onde foi construído o tríplex, o Condomínio Solaris, que era da Bancoop, cooperativa de bancários, até 2009. A OAS depois assumiu o empreendimento.

“Eu fiz uma ressalva que a empresa só atuaria em grandes capitais”, disse Pinheiro. “Ele me disse: ‘Olhe, aqui tem algo diferente. Existe um empreendimento que pertence à família do presidente Lula. Diante do seu relacionamento com o presidente, o relacionamento da empresa, nós estamos lhe convidando para participar disso’”.

Pinheiro disse que procurou Paulo Okamotto, atual presidente do Instituto Lula, que confirmou a informação. No depoimento, o advogado de Lula perguntou a Pinheiro: “O senhor entende que o senhor deu a propriedade desse apartamento para o ex-presidente Lula?”.

O ex-presidente da OAS respondeu: “O apartamento era do presidente Lula desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop, já foi me dito que era do presidente Lula e sua família, que eu não comercializasse e tratasse aquilo como uma coisa de propriedade do presidente”.

De acordo com Pinheiro, em janeiro de 2014, o petista teria solicitado uma visita ao apartamento para definir novas reformas. “Na última visita ao apartamento, eu estive com a dona Marisa e o filho do presidente, o Fábio, em agosto de 2014. Uma solicitação dela é que a família queria passar as festas de fim de ano no apartamento, então nós nos comprometemos a entregar tudo antes das festas. Eu fui preso em novembro, então não sei como acabou isso”. ()

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