Estava prevista para o início da madrugada de hoje a soltura do ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, preso na sede da Polícia Federal desde a última quinta-feira, quando foi deflagrada a Operação Trem Pagador do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), que investiga crimes de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito ligados ao superfaturamento das obras da Ferrovia Norte-Sul. A liberação do goiano se deve ao término do prazo de sua prisão temporária, que se deu na meia-noite de ontem. Também seriam soltos a mulher de Juquinha, Marivone e o filho, Jader. Na última sexta-feira, o quarto preso, Marcelo Cascão, que é sócio do filho do ex-presidente da Valec, foi solto por colaborar com as investigações. O procurador da República Hélio Telho, autor das investigações da MPF, explica que a prisão de Juquinha, que também foi deputado federal e presidente da Celg, não significa qualquer tipo de punição relacionada com os crimes pelos quais é acusado. “Prisão temporária não é e não pode ser uma antecipação de pena. O objetivo era garantir o tempo necessário para o sequestro de bens necessários. Isso já aconteceu e não tem mais necessidade de manter esses prisão”, afirmou Telho. Desde a última quinta-feira estão sequestrados R$ 60 milhões em bens registrados nos nomes de familiares de Juquinha e de Cascão. De acordo com o MPF, o patrimônio foi conquistado com o desvio de recursos públicos. Hélio Telho explica que o sequestro e a prisão integraram a segunda fase da Operação Trem Pagador, que foi iniciada em um processo sigiloso e agora seguirá com a análise dos documentos e materiais apreendidos desde a semana passada. “Vamos identificar as provas de lavagem de dinheiro, ver quem praticou esses crimes”, explicou o procurador. Os nomes identificados serão levados à Justiça, que, na quarta e última fase, decidirá sobre eventuais prisões e a manutenção ou não do sequestro de bens. “Só aí saberemos se os bens realmente vão voltar para os cofres públicos”, finalizou Hélio. Defesa Advogado de Juquinha, Heli Lopes Dourado afirmou ontem ao POPULAR que, caso a soltura fosse confirmada, o primeiro passo seria se reunir com o cliente para definir as estratégias da defesa. Segundo Heli, o acesso aos autos do processo só foi concedido ontem. “Quando há uma decretação assim, é muito difícil você conseguir as cópias dos papéis, mesmo previamente autorizado. Eu só tive acesso hoje (ontem) e a prisão foi decretada em cima de escutas telefônicas. E foram dez meses de gravações. Então, isso vai levar um tempo”, disse Dourado. Entretanto, o advogado adiantou que não existem motivos para a manutenção dos sequestros dos bens. “A partir daí, quando eu analisar o processo e depois de todas as diligências, não há razão para a manutenção dessa história”, afirmou. -Imagem (Image_1.174846)