São Paulo – Em dia de protestos contra o governo pelo Brasil, a presidente Dilma Rousseff divulgou um vídeo nas redes sociais no qual fez um discurso de mea-culpa, com reconhecimento da gravidade da crise, e ao mesmo tempo já colocando uma argumentação de união e tolerância para fazer a “travessia”. O vídeo foi a estratégia encontrada pela presidente, que evitou discursos durante as comemorações do Dia da Independência, para evitar panelaços.“Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los e seguir em frente”, diz a presidente, vestida com um terno azul claro e com um quadro em tons azuis ao fundo.Durante todo o dia, manifestantes usaram os desfiles cívicos para protestar. Os grupos pró-impeachment aproveitaram a data para voltar a tecer críticas contra o governo. Além disso, em São Paulo, o Grito dos Excluídos reuniu grupos de movimentos sociais, como a Frente de Luta por Moradia (FLM), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Central de Movimentos Populares (CMP) a atacaram o ajuste fiscal com cortes a programas de moradias.No vídeo divulgado, a presidente fez questão de se colocar como a liderança adequada para conduzir o País na saída da crise. “Me sinto preparada para conduzir o Brasil no caminho de um novo ciclo de crescimento, ampliando as oportunidades para nosso povo subir na vida, com mais e melhores empregos”, afirma.“As dificuldades são nossas e são superáveis. O que eu quero dizer, com toda franqueza, é que estamos enfrentando os desafios, essas dificuldades, e que vamos fazer essa travessia.”A presidente lembra que há dificuldades na economia pelo mundo, mas admite também que a crise é consequência da estratégia do governo brasileiro nos últimos anos. “As dificuldades e desafios resultam de longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais. Agora temos de reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas.”DesfileApesar da confiança demonstrada pela presidente no vídeo gravado, o momento político sugere dificuldades. Ontem, no desfile de 7 de setembro em Brasília, integrantes do PMDB não fizeram questão de acompanhar evento.Embora ministros petistas, que apareceram em peso ao evento cívico, tenham minimizado publicamente as ausências de seis dos sete titulares peemedebistas, integrantes do governo próximos à presidente Dilma Rousseff avaliaram o fato como mais um sinal de desgaste.Apenas o vice-presidente, Michel Temer, e o ministro da Pesca, Helder Barbalho, representaram o PMDB no evento cívico na manhã de ontem.Os presidentes do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e o da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não estavam na cerimônia.Um dos auxiliares mais próximos a Dilma, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, disse que “não tinha nem reparado” a ausência.“Eu não contei quem eram os ministros, quantos eram do PT, do PP, que eventualmente faltaram. Não é uma obrigação, até porque muitos ministros vão participar da cerimônia do 7 de setembro em seus Estados.”