Editorial

O Cerrado em chamas

A estiagem prolongada já mostra seus efeitos na saúde respiratória e na vegetação ressecada, que arde em chamas com facilidade. Em junho, o número de focos foi recorde para o mês na série histórica, desde 1998. Foram 442 focos de incêndio registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número tende a crescer até outubro, quando as chuvas encerram a estação seca. Os incêndios que se espalham, espontâneos ou provocados, podem causar enormes prejuízos para a biodiversidade do Cerrado, matando animais e empobrecendo o solo, além dos riscos que oferecem para a visibilidade em estradas. Queimadas provocadas, que se alastram por campos e reservas de preservação, ainda são comuns em Goiás, apesar de todos os alertas e episódios de destruição já registrados. A educação deve ser permanente, para que o fogo destrutivo não seja visto como um acontecimento inevitável no Cerrado. Medidas preventivas também devem ser tomadas com antecedência, entre elas a abertura de aceiros que podem evitar a propagação do fogo para as áreas de conservação. O Cerrado é um bioma rico, mas frágil, que merece todos os esforços de autoridades, comunidade e sociedade organizada para sua proteção.

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