O presidente da Empresa de Saneamento de Goiás S/A (Saneago), José Taveira, e o presidente do PSDB em Goiás, Afrêni Gonçalves, que é o diretor de expansão da empresa pública, estão entre os presos da Operação Decantação, deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal, Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle (MTFC), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. A ação tem o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável pelo desvio de cerca de R$ 4,5 milhões em recursos federais, a partir da Saneago, para pagamento de dívidas de campanha política. De acordo com informações preliminares, integrantes da diretoria da Saneago estão detidos. Estão sendo cumpridos 120 mandados judiciais, sendo 11 de prisão preventiva, 4 de prisão temporária, 21 de condução coercitiva e 67 de busca e apreensão na sede de empresas envolvidas e do PSDB, além de residências e outros endereços relacionados aos investigados. A ação acontece em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Formosa, Itumbiara, São Paulo (SP) e Florianópolis (SC).Até o início da manhã, 14 prisões haviam sido concretizadas.De acordo com a PF, os dirigentes e colaboradores da Saneago promoveram licitações fraudulentas mediante a contratação de uma empresa de consultoria envolvida no esquema criminoso, desviando recursos públicos federais, oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de financiamentos do BNDES e da Caixa Econômica Federal. A investigação teve início na apuração de crimes na licitação para o fornecimento de estação elevatória de água do sistema de abastecimento de Luziânia (Sistema Produtor Corumbá IV). Desdobramentos do trabalho acabaram por identificar também irregularidades em certames e contratos para a ampliação do sistema de esgotamento de Goiânia (Sistema Meia Ponte).A PF identificou que dirigentes e colaboradores da empresa de Saneamento de Goiás S/A (Saneago), promoveram licitações fraudulentas na contratação de uma empresa de consultoria envolvida no esquema criminoso. Ainda de acordo com a polícia, recursos públicos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de financiamentos do BNDES e da Caixa Econômica Federal, foram desviados para pagamento de propinas e dívidas de campanhas políticas.O contrato de repasse do Sistema Produtor Corumbá IV envolve recursos de R$ 117,3 milhões. Em fiscalização do Ministério da Transparência, houve a identificação de direcionamento de licitação, alteração de quantitativos sem justificativa e inclusão de equipamentos de alto valor, bem como o aditamento a maior pelo primeiro reajustamento de preços. As irregularidades geraram prejuízo efetivo de mais de R$ 1 milhão e prejuízo potencial de R$ 6 milhões, de um montante fiscalizado de cerca de R$ 45 milhões.Em relação ao Sistema Meia Ponte, que envolveu aplicação de recursos de R$ 67,4 milhões, foi constatado falhas na elaboração da composição de serviços de transporte e descarga de materiais; de formas compensadas para moldagem de concreto armado; de serviços de escavação e carga de material de jazida; além da execução contratual em ritmo lento. Dos pagamentos já efetuados (R$ 16,7 milhões), foi identificado prejuízo efetivo de R$ 3,4 milhões. Também foram fiscalizados recursos em cerca de R$ 30 milhões ainda não pagos, com identificação de prejuízo potencial de R$ 1,7 milhão.Outra forma de atuação da grupo, segundo a nota, consistia no favorecimento de consultoria contratada pela Saneago a empresas que participavam do esquema. Posteriormente, essas empresas destinavam os recursos desviados a campanhas políticas por meio de doações eleitorais.Entenda o esquema na ilustração abaixo