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Cenário nacional está mais aberto a inovações

Empreendedores digitais ganham novas oportunidades, mas número de mortalidade revela desafios

 

A hora é agora. A aposta é quase unânime entre especialistas e investidores que apoiam startups. Em 2015, o Google vai abrir em São Paulo escritório coletivo para as companhias tecnológicas em fase inicial e o cenário nacional também está mais aberto a inovações. Investidores-anjo, aceleradoras, incubadoras e programas de incentivo crescem no Brasil, assim como competições, eventos e casos de sucesso na área.

“Em todo o País, várias startups estão criando novos produtos e transformando a experiência dos usuários na web e em plataformas móveis, muitas vezes, em escala global”, destaca nota divulgada pelo Google, que cita EasyTaxi, ContaAzul, GetNinjas e Kekanto como exemplos nacionais que justificam a confiança na próxima geração de empreendedores brasileiros.

Boas ideias não faltam em Goiás, porém também são seguidas por projetos que falharam. A expressão “fail fast” (fracasso rápido), famosa no Vale do Silício, nos EUA, tem acompanhado as iniciativas. “De dez, oito morrem e o ciclo de vida é de um a dois anos”, estima o diretor de Fomento à Startup na Associação de Jovens Empreendedores e Empresários (AJE Goiás), Paolo Umberto Petrelli. As iniciativas somam 108 no Estado – cerca de 59 ativas –, segundo estimativa da Associação Brasileira de Startups.

É preciso errar rápido, aprimorar e acertar o mais cedo possível, defende diretor de marketing e sócio da Repplica, Tiago Alves, de 27 anos. A startup oferece ferramenta para que concessionárias e revendedoras de automóveis publiquem anúncios em diferentes portais e os gerencie a partir de um único site. “Formamos uma equipe com empreendedores já batizados, todos já estavam em seu segundo ou terceiro projeto.”

“Investimos horas de trabalho e não tivemos retorno muitas vezes, e todo lucro que tínhamos a gente reinvestia”, explica sócio da Fibonacci Soluções Ágeis, Rafael Augusto Mendes, de 31 anos, sobre erros e acertos até o primeiro bom resultado, a ferramenta Sortei.me,que permite que empresas façam promoções no Facebook e possui 1,5 milhão de usuários por mês.

Depois das tentativas, de reinvestirem seus lucros buscando algo maior, eles também lançaram os aplicativos Soongz, de streaming de música, e Meu Bilhete, para gestão e venda de ingressos. Conseguiram reconhecimento, investimento e somam no total cinco produtos ativos. Mas tiveram de mudar o rumo da ideia inicial de muitos deles.

Hora de mudar

Se houve erros, se menosprezaram alguns pontos e aceleraram demais outros, especialistas indicam que pode ser hora de mudar o rumo do negócio, o chamado pivotar, que é muitas vezes necessário para evitar o fracasso. “O insucesso está muito presente, muitas vezes não se sabe o caminho, pois geralmente são mercados inexplorados e não sabem a amplitude, pode ter 100 mil usuários ou 500 milhões”, explica o gestor de Projetos de Startup do Sebrae Goiás, Francisco Lima Júnior.

“A tecnologia existe, não é cara, o diferencial é como aproveitá-la”, defende o investidor-anjo João Kleper, que atua ao lado de 22 startups e faz parte da Anjos Brasil. Para ele, a mortalidade está em um cálculo antigo de pequenas empresas e os negócios digitais têm a vantagem de primeiro validar na prática para depois montar estrutura. Por isso, indica profissionalização e preparo, já que uma boa ideia sozinha não é suficiente.

Participação em eventos e competições tem auxiliado startups goianas e atraído investidores para o Estado, que deve receber terceira edição do Startup Weekend em outubro. A 10ª edição da Feira do Empreendedor, realizada pelo Sebrae Goiás, entre 31 de julho a 3 de agosto, em Goiânia, também está com programação para despertar os empreendedores e mostrar caminhos possíveis para os negócios digitais.

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