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Ser magro não é sinônimo de ser saudável, afirma especialista

Pessoas com metabolismo acelerado podem até caprichar mais no prato, mas ainda assim precisam manter bons hábitos para cuidar da saúde

Marcello Dantas
Bianca de Melo, de 22 anos: olhares invejosos quando atravessa o restaurante com o prato cheio

Invejadas por quem luta contra a balança, as pessoas que popularmente e com humor são chamadas “magras de ruim” muitas vezes incomodam pela façanha de comer muito e não engordar. Comem de tudo e parecem não precisar de “se matar” na academia. Mas ver os dígitos da balança estacionados nem sempre é uma vitória. De acordo com especialistas, manter o peso baixo não é necessariamente sinônimo de ter saúde, dependendo do estilo de vida levado.

A maquiadora Bianca de Melo, de 22 anos, atrai olhares invejosos quando atravessa o restaurante com o prato cheio de alimentos proibitivos para quem vive a lamúria da restrição alimentar. Para ela pode tudo. “No meu prato não falta arroz e feijão, alimentos que são bem regrados em qualquer dieta restritiva”, afirma a moça.

Por muito tempo, a luta inclusive sempre foi outra: ir na contramão da maioria, ganhar peso e encorpar. Ela conta que hoje as piadas sobre o prato cheio já não são um problema, mas já chegaram a ser quando comia muito, tomava coquetel de suplementos e pesava 45 quilos, tendo 1,63 metro de altura.

A maquiadora diz que sempre quis ter corpão e vibrava quando subia na balança e via o ponteiro subir, recompensa pelo esforço diário de refeições que deixavam amigos boquiabertos. Agora, com 55 quilos ela se diz satisfeita.

São diferenças metabólicas que fazem com que algumas pessoas, como Bianca, queimem mais calorias do que a média para manter o corpo funcionando. A nutricionista Hortência Guimarães Carvalho explica que alguns metabolismos são mais acelerados que outros. O que diferencia esses tipos metabólicos é a quantidade de massa muscular: quem tem mais, gasta mais energia e calorias até em situação de repouso.

A explicação matemática, ressalta a profissional, é que mais ou menos um quilo de músculo, chamada de “massa magra”, queima 80 calorias por dia. Enquanto um quilo de gordura, ou “massa gorda”, gasta apenas 5 calorias.

Não só o peso conta

Mas quem acha que manter o número do manequim baixo é garantia de tranquilidade, se engana. A nutricionista é enfática ao dizer que ser magro não é sinônimo de ser saudável. O que precisa ser levado em conta, segundo ela, é a composição corporal, como porcentual de gordura, e a qualidade da alimentação de cada um, tendo sobrepeso ou não. Hortência explica ainda que a pessoa pode ser visualmente magra, mas apresentar estrutura muscular pequena e taxa de gordura alta. “A caloria não pode ser a maior preocupação na dieta. Consumir pouca caloria mas de péssima qualidade não significa nada”, enfatiza.

Magros que não se alimentam corretamente, não realizam atividades físicas e mantêm hábitos não saudáveis estão expostos a doenças tanto quanto quem veste manequins maiores. “Peso não quer dizer nada. É preciso verificar o estilo de vida. Descobrir como anda o consumo de açúcar, álcool, alimentos industrializados e processados. No caso das pessoas de metabolismo acelerado, um acompanhamento nutricional é fundamental”, completa.

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