Os gaúchos Fábio Cunha, Jeremias Lopes e Marcelo Restori desembarcaram em Goiânia na noite de terça-feira. Ontem, eles lançaram um primeiro olhar sobre a cidade enquanto preparavam a oficina Verticalidade Cênica, que acontece até domingo, na Casa das Artes. O breve passeio pela cidade não foi suficiente. Hoje, a busca dos dois atores e do diretor de teatro continua. Eles procuram um espaço, digamos, alternativo para uma performance que será realizada no sábado. Dentro da programação do Festival do Teatro Brasileiro – Cena Gaúcha. A apresentação de Fábio, Jeremias e Marcelo não pertence ao cultuado repertório do Falos e Stercus, grupo a que eles pertencem. É o trabalho, ou o resultado da oficina que o trio comanda com 20 alunos goianos. Nem por isso, pode ser considerada menor, pois vai lançar ao público goiano as bases híbridas do teatro contemporâneo da companhia de Porto Alegre. “Trabalhamos com mistura de linguagens, mas a base é o teatro”, diz Marcelo Restori, que assina a criação da maioria dos 11 espetáculos encenados pelo grupo em 16 anos. Dança, circo e rappel cênico compõem os tais elementos híbridos do Falos e Stercus. “Teatro contemporâneo e físico é a melhor definição do nosso trabalho”, resume Marcelo, que no ano passado lançou Hybris, cujo primeiro palco foi um prédio de três andares do Hipódromo do Cristal, em Porto Alegre. “A ação ocorre em três andares e os atores saem da parede. Há muitos anos abandonamos o espaço teatral convencional”, descreve o criador sobre a opção por espaços urbanos abertos. Ao situar as influências do Falos e Stercus, Marcelo vai até Lion, França. “Um grupo criou o Archaus, que revolucionou a arte teatral-circense contemporânea”, situa. Na região gelada do Canadá, desenvolvendo a mesma linguagem, apareceu o Cirque du Soleil. “O Archaus, que não existe mais, tinha uma proposta mais punk.” Marcelo diz que seu grupo é referência do rappel cênico na cena nacional pelas inovações que apresentam a cada espetáculo. Afirma também que o Falos e Stercus foi uma das cinco companhias da América Latina que receberam orientação dos franceses da Archaus. Isso, no entanto, não faz do grupo um expoente do rappel cênico punk. “Segundo eles, somos o mais teatral de todos os grupos performáticos”, orienta Marcelo, que identifica os argentinos da companhia De La Guarda como parceiros de linguagem e contemporaneidade na América Latina. A dramaturgia do grupo gaúcho nasce primeiro do corpo. “Na maioria das vezes, não tem verbo. Trabalho o gestual. Elaboro um roteiro de ações a partir do corpo”, destaca. Em razão dessa fixação pelo movimento do corpo, Marcelo utiliza bailarinos e atores com ótimo treinamento físico para formar o elenco do grupo. Hoje mesmo, o trio da Falos e Stercus promete divulgar o endereço da performance na cidade. A espera agora é curta, até mesmo entre os mais ansiosos, ávidos para ver o teatro físico e contemporâneo de Marcelo Restori e seus companheiros. Evento: Festival do Teatro Brasileiro – Cena Gaúcha Espetáculo: Cinta Liga /Desliga Data: Hoje, às 20 horas Local: Teatro do Instituto Federal de Educação (Rua 75, nº 46, Setor Central, Goiânia) Informações: 3227-2700 Entrada franca Espetáculo: Miséria, Servidor de Dois Estanceiros Data: Hoje, às 19 horas Local: Parque Ipiranga, Anápolis Entrada franca-Imagem (Image_1.150288)