Era um movimento natural na obra de Elizabeth Jobim. As formas geométricas foram criando espaços virtuais na própria tela, depois, ganharam volume e, agora, enfim, chegam ao solo, como se saltassem da parede para o chão do museu. Estão assim na exposição Blocos, que o MAM abre hoje, às 19h. As 13 obras de Beth – todas inéditas, da série Blocos, feita especialmente para a mostra – ocupam uma sala de 400m² do segundo andar do MAM, vizinha ao espaço onde estão as obras da arte pop brasileira e argentina. Conhecida por, desde os anos 1980, buscar compreender o que vem a ser a pintura moderna, a artista carioca conta que imaginou o “salto” da parede ao chão quando expôs a instalação Em Azul, na Pinacoteca de São Paulo, em 2010. “ Esse trabalho (da série Blocos) não é como um quadro que você bota na parede. Ele acontece no espaço, e isso é uma coisa nova para mim, que sempre fiz trabalhos na parede. Embora minhas obras já tivessem volume, elas ainda se mantinham na parede. É o tipo de trabalho que te faz pensar para onde ele vai”, diz Beth. Quando foi convidada, em 2011, para falar sobre Willys de Castro (1926-1988) na Pinacoteca de São Paulo, ela, filha de Tom Jobim, diz que “mergulhou” ainda mais na obra do artista mineiro, que tanto contribuiu para a arte construtiva brasileira. E, então, decidiu realizar a série Blocos, que, segundo ela, é “um tanto inspirada” no Objeto Ativo (1960), de Willys, em exposição no MoMA, de Nova York. Assim como se dá na obra dele, Beth quer que o espectador possa rodear seus blocos e “experimentar trajetos” na mostra. Para o curador do MAM, Luiz Camillo Osorio, “o trabalho de Beth estava pedindo, indo nessa direção de ocupar o espaço e interagir com o movimento das pessoas, e tornar essa cor mais escultórica, mais arquitetônica”. A artista concorda: “Tem algo que me interessa muito nessa mostra, e é o fato de os trabalhos estarem no espaço e funcionarem nesse percurso que o espectador vai fazendo, rodeando cada uma das peças, fazendo sua própria combinação de cores.” O curador diz ainda que o caminho que Beth Jobim toma é o de criar uma “extensão da tradição construtiva”. Suas obras dialogam também com os emblemáticos Cubo-Cor (1960), de Aluísio Carvão (1920-2001) . “E tem também um pouco de Donald Judd (escultor americano, um dos ícones do minimalismo). Há uma austeridade minimalista no trabalho dela. Não tem tanto a sensualidade orgânica que víamos em Hélio Oiticica, embora ele também tenha feito esse movimento de sair da tela para o espaço. Na Beth, esse movimento acontece com uma austeridade minimalista”, explica Osorio. Outra novidade na produção da artista é o uso de outras cores, que não só o azul, que já se tornou marca de sua obra. Desta vez, ela se vale de uma paleta vibrante ou de tons terrosos (sempre com branco) para cobrir as telas de que são feitas cada bloco. O fato de usar tinta a óleo sobre tela, defende Beth, faz com que os blocos sejam não só objetos, mas também pinturas, “no sentido literal, já que uso a técnica que é da pintura tradicional”. “ Conforme você vai percorrendo (a mostra), vê uma certa combinação de cores. A mudança do azul para mais cores foi algo que aconteceu espontaneamente, mas o que acho interessante é essa história de que cada um só tem uma cor, mas, juntos, os blocos vão criando relações. Não é uma combinação fixa de cores”, afirma Beth. “No momento em que você pisa aqui, você já está dentro. Os trabalhos vão se revelando conforme você vai vendo. Não basta olhar, é preciso olhar de vários ângulos, experimentar trajetos.”-Imagem (Image_1.344177)