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Morre o artista plástico Fé Córdula aos 83 anos

Referência na art naïf foi vítima de complicações da diabete

Atualizada às 21h02

Um dos mais importantes nomes da arte naïf, o artista plástico Fé Córdula morreu aos 83 anos na final da tarde da última quinta-feira. O corpo do artista, que foi velado ontem no Museu de Arte de Goiânia (MAG), no Bosque dos Buritis, será cremado na segunda-feira. Fé Córdula deixa três filhos, uma neta e uma bisneta e mulher.

Há 15 dias internado na UTI do Hospital do Jacob Facuri, Fé Córdula lutava contra uma forte pneumonia. Segundo a mulher Maria das Dores Feitosa, 72 anos, como o artista plástico já havia passado por algumas cirurgias cardíacas.

“Após uma pequena melhora, os rins começaram a dar sinal de falência e os antibióticos não estavam funcionando mais. Ele já estava bem cansado. Após três paradas cardíacas seguidas, ele não resistiu”, disse Maria.

Nascido em São Rafael, no Rio Grande do Norte (RN), em 12 de janeiro em 1933, Francisco de Assis Córdula morava em Goiás desde a década de 1970. O artista vivia com a mulher em um sítio, rodeado de natureza e animais, no município de Abadia de Goiás. Desenhista e pintor, ele já integrou mais de cem exposições no Brasil e no exterior, em países como Alemanha e França. A última exposição de Fé Córdula foi em maio no hall do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, onde ficou em cartaz até o dia 10 de junho.

Amiga de Fé Córdula, a artista plástica Helena Vasconcelos lamentou a morte do companheiro de arte. “É uma perda grande. Ele foi uma pessoa que chegou em Goiás há muito anos e assumiu essa goianidade. Encantou com suas obras marcadas pela religiosidade de São Francisco e do Divino Espírito Santo.”

O curador Antônio da Mata valorizou a arte sacra primitiva produzida pelo artista. “Ele pintou obras maravilhosas, era um colorista de primeira, mesmo sendo um primitivo, fugia do estilo, repetia vários assuntos, fazia tudo com muito esmero. Tinha o dom de fazer o que ele fazia. Fé Córdula nunca esqueceu sua raiz nordestina pintando o folclore nordestino, bumba-meu-boi, festas juninas. Era um pintor de mão cheia.”

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