Desde 2011 os moradores de Pirenópolis passaram a viver uma polêmica por causa dos mascarados, os cavaleiros que, segundo a tradição, desfilam nos intervalos das Cavalhadas e passeiam pelas ruas da cidade. Com trajes de chita, eles usam máscaras artesanais que evocam o folclore da região ou fazendo referência a personalidades políticas nacionais e regionais. Em 2011, por uma decisão judicial, os mascarados teriam de usar um número nas costas e se credenciar na delegacia para poder participar da festa. A medida teria sido tomada para combater a criminalidade e dar mais segurança à população. Os moradores ficaram divididos com a situação e a festa correu o risco de perder uma das partes mais das importantes do seu lado profano, pois a maioria dos mascarados recusou-se a seguir a ordem judicial e boicotou o evento. Ronaldo Felix, da assessoria de imprensa da prefeitura, explica que a festa deste ano não corre este risco. Sob a alegação de que a Festa do Divino de Pirenópolis foi tombada como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan, e que portanto deveria ser mantida com todas as suas características, a prefeitura elaborou um projeto de lei específico tratando do tema, aprovado pela Câmara Municipal, liberando a circulação dos mascarados. Os mascarados, porém, vão ter de obedecer a algumas normas, como desfilar apenas com roupas apropriadas (alguns cavaleiros chegaram a usar fraldão ou shorts durante a festividade) e obedecer às mesmas regras dos carros em relação ao fechamento de ruas (eles circulam pela cidade a cavalo), procedimento comum em época de festas na cidade. “Eles estão sujeitos às mesmas normas que os outros cidadãos e, se apresentarem atitude suspeita, podem ser abordados pela polícia. Porém, não serão obrigados a se identificar previamente numa delegacia, como pedia a justiça, pois o anonimato do mascarado é da essência da cultura pirenopolina, uma manifestação espontânea. A liberdade de expressão em relação a personalidades da cidade, políticas ou não, também será respeitada”, afirma Ronaldo Felix. Para assegurar a segurança da cidade no período da vesta, acrescenta, o efetivo policial foi reforçado.