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Hostels pipocam por Goiânia em ambientes arrojados que agregam arte, cultura e gastronomia

Marcello Dantas
Empresária Patrícia Fernandes em um hostel no Setor Oeste: espaço, que já sediou uma mostra de decoração em 2015, mantém móveis com design inovador

Promover um intercâmbio e conhecer pessoas de diferentes regiões do País. Ter um contato mais íntimo com o lugar visitado e, de quebra, acompanhar a programação cultural da cidade. Serviço customizado e praticidade aliada à economia. Muitos foram os motivos encontrados pela estudante Jaqueline Eugênia dos Santos, 28, quando tratou de se hospedar quinzenalmente em mais um dos hostels que pipocam por Goiânia. Por causa de sua pós-graduação, todo o mês a goiana sai de sua cidade natal, São Luís dos Montes Belos, e passa o final de semana na capital. Foi na internet que descobriu o Hostel 7, no Setor Bueno e o primeiro a surgir na cidade com foco numa hospedagem compartilhada e integrada aos viajantes de plantão.

Quando se fala em hostel – ou antigos albergues – a imagem que vem à mente é logo representada por um lugar de quartos apertados, entupidos de camas beliche, invariavelmente bagunçados e cheios de estudantes. Não para Jaqueline. Tudo porque o Hostel 7, assim como outros que surgem em Goiânia, principalmente nas regiões centrais, como os Setores Bueno, Marista e Oeste, brincam com uma tendência de hospedagem em ambientes de design arrojado e com espaços modernos. Além disso, são locais que agregam gastronomia e arte em eventos pontuais, como shows de música, festas sunset na piscina, feiras e trocas de livros, degustações de pratos e drinques ou cineclubes coletivos.

“É muito prático, acolhedor e divertido se hospedar em hostels por conta da integralidade que ele comporta. Você conhece mais gente, faz contato com culturas de inúmeras cidades e regiões, faz amigos, troca experiências, conhece a cidade através de um olhar mais íntimo e menos formal que os hotéis nos apresentam”, conta Jaqueline. Só nos últimos meses, a estudante conheceu Goiânia mais a fundo do que todas as suas estadias na cidade desde quando era criança. “Você, de repente, se vê com pessoas diversas explorando uma cidade estrangeira”, explica.

Design

A modernização desses estabelecimentos, intitulados de design hostel, soma-se há uma mudança de perfil de um público viajante jovem, que busca uma acomodação de preço mais acessível que os hotéis tradicionais, em ambientes aconchegantes. A reunião disso tudo se resume a uma expectativa agradável de experiência e convivência social. É o que aponta o empreendedor Alfredo Moreira, 32, que criou o Hostel 7 primeiro em Brasília, em 2006, e tratou de levar o projeto para Goiânia. “Vimos um potencial muito grande na capital para ser explorado. Não tinha nenhum na cidade e queríamos apresentar uma nova forma de fazer turismo”, conta.

Um novo público consumidor é atraído por esse contexto de modernização: pessoas que gostam de festas e baladas, mas não são necessariamente viajantes frequentes. Quase sempre o Hostel 7, por exemplo, promove festas abertas ao público em eventos que reúnem moradores da cidade e turistas hospedados no local. No último mês, uma feirinha de fanzines e literatura agitou as tardes de sábado, com projeções artísticas e discotecagens com músicas de bandas goianas, como Carne Doce e Boogarins. “Hostel não vive só de mochileiros. Trata-se de um segmento para pessoas abertas a novas experiências, além de promover o turismo, fomentar a cultura da região e fortalecer a economia local”, reitera o empreendedor.

Cristiano Borges
De São Luís dos Montes Belos, Jaqueline dos Santos se hospeda em um hostel em função das aulas de pós-graduação
Marcello Dantas
“Não existe mais um perfil específico. São jovens e adultos em busca de uma experiência de inovação e conforto”, afirma o funcionário de hostel André Luis
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