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De volta ao Cineteatro São Joaquim, Fica tem eixo apontado para as cidades sustentáveis

Sob o sol do Cerrado: em sua 19 edição, festival internacional se divide em oito mostras e exibe mais de 100 filmes

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Um dos concorrentes na Mostra Competitiva, Martírio, de Vicent Carelli, foca a questão das terras indígenas

Cinema ambiental é político. De volta ao seu palco original e às vésperas de comemorar 20 anos de realização, o Festival Internacional de Cinema e Meio Ambiente (Fica) dá início à sua maratona de mostras e simpósios relacionados ao audiovisual hoje, em diferentes espaços da cidade de Goiás. Com o eixo apontado exclusivamente para o cinema e com o tema “Cidades Sustentáveis: Os Desafios do Século 21”, o evento retorna ao Cineteatro São Joaquim, que esteve em obras de requalificação durante três anos por meio do PAC – Cidades Históricas, do Iphan.

Até domingo, o espectador poderá conferir filmes realizados em diferentes lugares de todo mundo, participar de conferências e debates, oficinas, assistir aos shows musicais, além de ingressar numa jornada audiovisual com produções que ampliam questões relacionadas ao meio ambiente, como genocídio indígena, excesso de consumo de medicamentos, exploração de minérios e políticas de preservação. A abertura, amanhã (20), traz a estreia mundial do longa-metragem Caminho do Mar, dos diretores Bebeto Abrantes e Juliana de Carvalho, que alarga a discussão sobre o rio Paraíba do Sul e reconta histórias de quem mora à sua margem.

A Mostra Competitiva, que começa na quarta-feira (21) e que se divide entre o Cineteatro São Joaquim e no Cine Cora Coralina, montado na Universidade Estadual de Goiás (UEG), apresenta 25 filmes, sendo 15 estrangeiros, entre países como Japão, Alemanha e México, e 10 brasileiros. Produções como Der Block, da Suíça e que reconta o cotidiano dos nômades do Quirguistão, na Ásia, divide sessão, por exemplo, com o documentário Tarja Preta, do pernambucano Márcio Farias, que apresenta a história de Itacuruba, cidade com o maior número porcentual de pessoas que sofrem de depressão no Brasil.

“O festival conseguiu dar um salto de qualidade na Mostra Competitiva nos últimos anos com uma comissão de seleção muito bem escolhida e que tem um rigoroso olhar para o cinema na busca de abordagens inovadoras e criativas para a questão ambiental. Junto a isso, na programação paralela, o fórum de cinema tem como foco estabelecer o internacional, nacional e local para que o Fica realmente possa ser um lugar relevante de qualificação e intercâmbio para os realizadores goianos”, aponta o consultor de cinema do evento, o cineasta Pedro Novaes.

Qualificação

Cinema e política, desafios da qualificação do cinema regional, caminhos da internacionalização audiovisual, narrativas específicas para o documentário, crítica de cinema, análise fílmica, direção de arte e cenografia. Muito além da Mostra Competitiva, o Fica também apresenta debates, simpósios e mesas para a discussão de diferentes temas preestabelecidos. “Vejo que os realizadores audiovisuais estão se reconhecendo um pouco mais na programação de cinema do festival. Dar visibilidade à nossa produção é fundamental para tornar o evento um espaço de encontro e debate sobre o que estamos produzindo”, reitera a produtora Joelma Paes, participante do Laboratório de Projetos da ABD Goiás.

 

Evento: Fica 2017
Data: 20 e 25 de junho
Local: Cine Teatro São Joaquim, Cidade de Goiás
Mais informações e programação completa: www.fica.art.br

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