Quando muitos já achavam que estava saturado o atual reinado dos super-heróis nos cinemas, as bilheterias estrondosas de Os Vingadores chegam para mostrar que o subgênero dos filmes de ação e fantasia ainda tem muito fôlego. Os Vingadores, em cartaz na cidade, tornou-se o sexto filme com maior faturamento de todos os tempos, segundo dados do site norte-americano The Hollywood Reporter. A superprodução rendeu até agora, em bilheterias do mundo todo, US$ 1,07 bilhão. Em meio a toneladas de pipoca, críticos de cinema e estudiosos do comportamento humano perguntam-se o porquê da atual onda dos super-heróis, a mais forte da história, que continua a conquistar os espectadores. Enquanto isso, a indústria de Hollywood, a mais poderosa do mundo, não para um segundo e já tem vários projetos em andamento e com lançamentos marcados (confira aqui). Até meados de século 20, os grandes heróis eram representados principalmente em faroestes e filmes de guerra. Super-heróis, personagens vindos do mundo das histórias em quadrinhos, como o Super-Homem, criado em 1939, até então eram relegados aos filmes B da indústria hollywoodiana. Nesta seara eram produzidos os filmes de fantasia e terror em geral, com orçamentos mais em conta, elenco pouco conhecido e distribuição em cinemas de pequeno porte, com menos cópias, muitas vezes apenas em matinês e com o pior status entre os lançamentos escalonados (das cidades maiores, bairros centrais e cinemas mais luxuosos em direção a cidades menores, bairros de periferia e cinemas menos vistosos). Sucesso Os super-heróis só se tornaram blockbusters no cinema com O Super-Homem, de 1979. Dirigida por Richard Donner, que realizou vários filmes importantes nos anos 60, estrelada pelo então desconhecido Christopher Reeve, a aposta tornou-se um fenômeno inesperado de bilheteria, talvez pegando carona nos filmes de aventura orquestrados por Steven Spielberg e George Lucas, mas sem deixar de lado o drama épico do personagem. A partir desta época, ocorreu outro fenômeno que, na história do cinema, é chamado de infantilização do público: enquanto a faixa etária média da plateia até os anos 60 era de jovens adultos e adultos, no final dos anos 70 crianças e adolescentes tornam-se a faixa etária predominante do público. Depois do sucesso da série Superman, os super-heróis continuaram sua carreira na TV e nos quadrinhos. Nos anos 80, Spielberg e Lucas lotavam os cinemas do mundo todo com filmes sobre extraterrestres e sagas intergalácticas. Um revival das matinês de aventura, liderada por Indiana Jones, tomou conta das telonas, que eram divididas com heróis brutamontes como Rambo e cia. Em 1989, Tim Burton, um criativo diretor em ascensão em Hollywood, recebe o projeto de levar Batman para o cinema, de uma forma mais dramática e sombria que o seriado de TV e mais de acordo com os fãs das novas atmosferas do super-herói nos quadrinhos. As bilheterias foram nas alturas e o filme ganhou uma elogiada continuação, também com Tim Burton. Porém, em seguida, duas sequências desastrosas quase sepultaram o futuro dos super-heróis no cinema. Eis que, de teia em teia, com efeitos especiais incríveis, o atrapalhado Peter Parker ganha as telas do mundo. O êxito singular de Homem-Aranha, lançado em 2002, abriu de novo a porta para este tipo de herói no cinema. No século 21, assombrado pelo terrorismo, crises econômicas, desequilíbrio ecológico e violência civil descomunal, a fantasia torna-se praticamente tudo o que os espectadores querem ver. Quase simultaneamente, os mutantes X-Men conquistam o seu lugar e até o antigo Superman é relançado, devidamente repaginado, claro para os tempos modernos. Porém, o personagem de figurino azul colante não deu liga e até hoje o filme não ganhou uma continuação. Se não ele não deu prejuízo, alguns de seus colegas fracassaram para valer, como Hulk, O Demolidor e Elektra, só para ficar nos exemplos mais gritantes. Nada, no entanto, que fizesse Hollywood desistir. Homem Aranha vai ganhar uma segunda trilogia e Batman já caminha para o terceiro episódio de sua segunda trilogia. Os X-Men também estão no mesmo caminho e outros super-heróis, como Thor e Capitão América, estão mostrando que ainda podem render bastante na telona. Quanto aod Vingadores, que reúne um timão de super-heróis, é esperado que chegue à posição de quarto filme com maior renda da história.-Imagem (Image_1.155975)