-Imagem (1.650798)Um olhar atento e um clique sensível. O suficiente para um momento se transformar em poesia pelas mãos do fotógrafo e etnólogo francês Pierre Verger (1902-1996). Alguns desses registros do artista sobre o cotidiano, a cultura e a religiosidade de descendentes de africanos no Brasil e em outros 20 países, compõem a exposição Nos Caminhos Afro, que tem abertura hoje, às 19 horas, no Museu de Arte Contemporânea, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. A partir de amanhã a entrada é franca e os trabalhos ficam em cartaz até 30 de novembro.Serão exibidas 150 imagens em preto e branco que demonstram as peculiaridades do universo interpretado pelo artista-viajante, que realizou longas expedições entre 1932 e 1970 capturando a origem africana em destinos como Cuba, Haiti, Serra Leoa, Santo Domingo, EUA, entre outros. A curadoria é do francês Alex Baradel, que vive há 15 anos em Salvador (BA) e trabalha desde 2000 na fundação Pierre Verger instalada na capital baiana. Goiânia fecha o ciclo de visitações da mostra que estreou em 2012 e já passou por Vitória (ES), Campina Grande (PB), Teresina (PI) e Campo Grande (MS).Os registros fotográficos selecionados para a exibição captam singularidades do cotidiano do povo negro, como Tambor de Mina, no Maranhão, Xangô, em Pernambuco, Candomblé, na Bahia, além de feiras, mercados e festas populares em vários lugares do mundo clicados em uma época na qual imperava uma cultura europeia. “Era um artista que tratava as pessoas mais humildes com muito respeito e que não tinha nenhuma intenção de denunciar a vida sofrida deles, e sim de mostrar sua beleza. A obra dele tem essa vertente estética e sociocultural”, adianta Alex Baradel.Com uma máquina Rolleiflex, Verger perseguiu, durante décadas, paisagens e rostos. Percorreu os cinco continentes de barco, navio, de trem, ônibus, da forma que fosse mais viável, até, por exemplo, no dorso de um camelo quando atravessou o Saara. Também era um estudioso e procurava entender o cotidiano de diferentes regiões, embora não se considerasse um pesquisador, mas tivesse um estilo próprio de fazer etnografia, de pesquisar e fazer ciência. “Suas fotos denunciam o seu olhar, que é de uma curiosidade daquela realidade social, com um caráter de descoberta, de aventura. Ele soube capturar e eternizar a riqueza do povo”, analisa Alex Baradel.Vídeo Dois vídeos também fazem parte da exposição: Olhares Nômades (2005), composto por 600 fotografias sobre a cultura popular nordestina e o Mensageiro Entre Dois Mundos (1999), documentário do diretor de cinema e produtor Lula Buarque de Holanda, com roteiro de Marcos Bernstein (Central do Brasil), narrado e apresentado pelo artista Gilberto Gil. O filme refaz o caminho percorrido por Verger dentro da cultura negra na Bahia e na África e inclui a última entrevista do fotógrafo, filmada um dia antes de sua morte, em fevereiro de 1996.Exposição: Nos Caminhos AfroArtista: Pierre VergerAbertura: Hoje, às 19 horas (convidados)Local: Museu de Arte Contemporânea, no Centro Cultural Oscar Niemeyer (GO 020 Km 0, saída para Bela Vista)Visitação: Até 30 de novembro de terça a domingo (10h às 16h)Entrada francaMais informações: 3201-4905| www.ccon.go.gov.br-Imagem (Image_1.650321)-Imagem (Image_1.650316)-Imagem (Image_1.650323)-Imagem (Image_1.650324)