Esporte

Dragão sai de cena no voo do Galo

Atlético repete erros e volta a perder. Xará mineiro é algoz da vez e afunda ainda mais goianos na lanterna

Cristiano Borges
Walter (D) lamenta oportunidade de gol perdida, enquanto Rafael Carioca orienta defesa do Atlético Mineiro

Diz-se que, na Série A, os fortes não perdoam. Diante deles, não se pode perder chances de gol nem cometer falhas na defesa. Tem de beirar quase à perfeição. Foi dessa forma que, no Estádio Olímpico, o Atlético foi batido de virada pelo xará, o Atlético Mineiro, neste domingo, por 2 a 1.

Como criou chances, e não as aproveitou, viu o castigo chegar pelo alto, em dois gols de cabeça do Galo, que se deu ao luxo de colocar Robinho, que estava na reserva, no segundo tempo. Robinho pedalou, deu mobilidade e o Galo, até então cozinhado, ciscou, voou e bicou o Dragão. De prato do dia, virou algoz e apagou o fogo do Dragão, lanterna cada vez mais, com 8 pontos.

A derrota jogou o ânimo do time no chão. Se vencesse, sobreviveria na luta contra descenso. Sobraram velhas desculpas, como “detalhes”, repetido após o jogo por Doriva. “Hoje, os detalhes continuaram prejudicando nosso time.” Por “detalhes”, entenda-se chances perdidas e gols em que o adversário subiu sozinho, para cabecear. O Dragão, com Doriva, chegou a 9 jogos e aproveitamento pífio: 6 derrotas, 2 empates e 1 vitória.

Derrota traz problemas. Walter reclamou do atacante Niltinho, que deixou de passar a bola. “Discordo. Às vezes, o atleta diz coisas de cabeça quente”, minimizou o técnico. “A gente está trabalhando, os atletas estão trabalhando”, ressaltou Doriva.

Outro atacante, Everaldo, pediu para ficar fora do jogo. Nesta segunda-feira (17), deverá deixar o clube, negociado com o futebol mexicano.

O Dragão vencia e dominava o jogo. Gol de Igor, aos 26 minutos, após rebote. Teve mais chances e parou nas mãos do goleiro Victor. Então, houve lance decisivo. Só na área, à frente de Victor, Paulinho ajeitou e colocou. A bola não entrou. Ao contrário, puniu o Dragão. “Trocaria tudo por aquele gol. Eu tomei a decisão errada”, disse Paulinho, destaque do time mesmo com a derrota e o gol desperdiçado.

Ele não fez gol. Antes, parou em grande defesa de Victor. Então, Robinho entrou, pedalou e empurrou o Galo à vitória. Nos lances dele, o Galo virou em terreiro alheio. Velho chavão do futebol. O Galo se deu ao luxo de deixar Robinho na reserva. E ele não reclamou do técnico Roger Machado. “Se tiver de jogar 90 minutos, vou jogar. E se for para jogar 10 minutos, vou jogar com a mesma disposição”, disse Robinho, decisivo nos gols de cabeça de Fred, aos 11 minutos, e no de Elias, aos 27 minutos da etapa final. No intervalo dos gols, o zagueiro Gilvan desperdiçou outra chance para o Dragão.

Nos corredores do Olímpico, não era só Doriva que mostrava o abatimento. Experiente, o capitão Roger Carvalho lamentou a derrota, disse que é preciso reagir e não conseguiu apontar caminhos para isso. “Temos de trabalhar bastante para buscar soluções. É a primeira vez que tenho uma sequência de derrotas, como essas. Serve de aprendizado, para mim, e os outros.”

Ficha técnica:
Local: Estádio Olímpico, em Goiânia
Árbitro: Pablo dos Santos Alves (PB)
Assistentes: Oberto da Silva Santos (PB) e Kildenn Tadeu Morais de Lucena (PB)

Atlético: Felipe; André Castro (Jonathan), Roger Carvalho, Gilvan e Bruno Pacheco; Marcão, Paulinho, Igor (Luiz Fernando) e Jorginho (Andrigo); Niltinho e Walter. Técnico: Doriva

Atlético-MG: Victor; Alex Silva, Bremer (Matheus Mancini), Gabriel e Leonan; Adílson, Rafael Carioca, Elias, Marlone (Robinho) e Cazares; Fred. Técnico: Roger Machado 

Gols: Igor aos 23' do 1º tempo (Atlético-GO); Fred aos 11'  e Elias aos 27' do 2º tempo (Atlético-MG)
Cartões amarelos: Bremer, Robinho, Victor (Atlético-MG); Paulinho, Bruno Pacheco (Atlético)
Público: 4.220 pagantes/ 5.235 presentes
Renda: R$ 90.530,00

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