Economia

Os dois lados da retração

Mais de 11 mil empresas fecharam as portas em Goiás no ano passado, mas saldo é positivo. Setor de serviços sente forte crise econômica e saída está na inovação

Cristiano Borges
Nilva Mendonça não resistiu aos efeitos da crise e fechou o restaurante

As dificuldades do ano de 2016 são evidenciadas pelo encolhimento do empreendedorismo. Dados da Junta Comercial de Goiás (Juceg) apontam que, no ano passado, foram fechadas 43% mais empresas do que no ano de 2014 – início da crise econômica. Ainda assim, o “saldo” é positivo em 17.909 novos empreendimentos. Para especialista, uma ponta é sustentada pela consolidação da retração econômica, que atinge em cheio o setor de serviços, enquanto na outra estão visionários – pessoas que apostam na inovação ou em nichos que permanecem em alta. Nesses dados não estão contabilizados os microempreendedores individuais (MEIs).

O perfil econômico de Goiás permitiu que os efeitos da crise chegassem só agora, de forma retardada. O economista, Aurélio Troncoso, explica que dentro da cadeia produtiva, o setor de serviços é o último a sentir a retração – responsável por 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. “As indústrias começaram a diminuir de tamanho, já muitos do setor de serviços fecharam as portas. A maioria é de micro e pequenas empresas. É uma quantidade grande e que não foi reposta”, avalia.

Quem sentiu bem esse peso foi Nilva Mendonça. Dona do Recanto Caipira Restaurante desde 2010, ela teve que começar enxugar despesas a partir de 2014. Depois de ver sua clientela diminuir aos poucos, reduziu o número de funcionários de 11 para sete pessoas, recorreu a empréstimo bancário e ainda assim sucumbiu à crise, fechando às portas ano passado. “Pessoas que almoçavam assiduamente no restaurante começaram a levar comida de casa”, diz.

Já José Milton Ribeiro Machado Júnior fez o caminho inverso. Após uma demissão, procurou uma consultoria e apostou todas as fichas na abertura de uma empresa de produtos naturais, a Empório do Zé. “Vi que era um segmento que está crescendo e eu e minha mulher já temos conhecimento do assunto”, afirma. A abertura foi em agosto do ano passado, após cinco meses de estudo. Foram investidos R$ 120 mil, e José acredita que pode começar a ver o retorno nesse primeiro semestre. “Tive o dobro previsto logo no primeiro mês, mas o fim de ano já não foi tão bom. Abrimos com o modelo já para franquia e já fazemos prospecção”, diz.

Para Troncoso, sempre existem aqueles que conseguem dar as costas para a crise. Não há caminho certeiro, mas a orientação está no apelo para a inovação de mercado e alguns nichos com tendência de permanecerem em alta. “Quem trabalha com consertos, por exemplo, está bombando”, diz o economista. 

Claudio Reis
José Milton trilhou o caminho inverso: demitido, resolveu investir
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