-Imagem (1.325150) A diarista Maria Aparecida Xavier se tornou uma internauta em 2010, depois de ganhar um computador usado de uma amiga. “Fazia muita falta, principalmente para os trabalhos de escola da minha filha, que sempre precisava andar muito para ir até uma lan house”, lembra. Mas Maria Aparecida gostou tanto do computador que logo comprou um aparelho mais novo. “Agora, estou totalmente dependente dele. Tudo que eu preciso, eu encontro lá”, justifica a diarista. Ela só reclama do que chama de péssima qualidade da internet em sua região. Para tentar resolver o problema, a diarista conta que já trocou de operadora três vezes. “O sinal cai muito e a internet é sempre muito lenta”, conta. Maria Aparecida está entre os 2,5 milhões de goianos com 10 anos ou mais que acessaram a internet em 2011. Como em 2005, quando ela ainda não tinha acesso à rede, eram apenas 874 mil internautas no Estado, o crescimento no período foi de 187%. Os dados são do suplemento Acesso à internet e posse de telefone móvel celular para uso pessoal, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2011), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O porcentual de goianos com acesso à internet subiu de 18,9% em 2005 para 47,7% em 2011. Apesar desse crescimento, a exclusão digital ainda atinge mais de 50% da população do Estado. É o caso da auxiliar de lavanderia Lucélia Neves dos Santos, que nunca utilizou um computador na vida. “Tenho muita curiosidade e vontade de entrar, mas não tem como”, lamenta Lucélia, que até já comprou um notebook para os filhos. O crescimento do acesso à internet também foi maior em Goiás que no Brasil, onde o aumento foi de 143,8% no período. Para o chefe da Unidade Estadual do IBGE em Goiás, Edson Vieira, a expansão pode ser explicada pelo número de operadoras e ao consequente barateamento dos serviços, apesar de os valores ainda serem considerados altos pela população. Outros fatores macroeconômicos também contribuíram para o bom desempenho, como o aumento da renda da população. Edson lembra que, entre 2005 e 2011, houve um aumento real de 50% no salário mínimo, enquanto a taxa de desemprego caiu de 10,9% para 6,5%. Por outro lado, a exclusão pode ser atribuída a um conjunto de fatores como a baixa renda de boa parcela da população, o analfabetismo e até a falta de interesse, principalmente entre a população mais velha. Mas, na opinião de Edson, os números mostram que ainda há muito espaço para crescimento nesse mercado. O porcentual de jovens que acessam a rede chegou a 74% em 2011. Porém, entre a população com mais de 50 anos, o índice cai para 18%. Segundo Edson, o acesso à internet também está associado ao grau de instrução. O porcentual de pessoas que já tinham computador com acesso à internet em casa mais que quadruplicou: de 8,3% em 2005 para 36,1% em 2011. A diferença para os 47,7% da população que frequentaram a rede está no número de pessoas que só utilizam o computador no trabalho ou em lan houses. Celulares Os dados da Pnad também mostram crescimento significativo do uso de celulares, que também são usados para acesso à internet. O contingente de pessoas com telefone celular em Goiás cresceu 104%. Em 2005, eram 43,6% da população, número que saltou para 77,7% em 2011. Em 2011, Goiás foi o segundo Estado com maior porcentual de pessoas que tinham telefone celular entre a população com 10 anos ou mais de idade, atrás apenas do Distrito Federal. O superintendente da rede Novo Mundo, Agenor Braga, informa que, entre 2010 e 2011, a venda de celulares cresceu quase 40%, enquanto a venda de computadores teve expansão de 20%. Ele explica que muitos consumidores estão deixando de comprar computadores para adquirir smartphones e terem acesso à internet em qualquer lugar a qualquer hora. “Temos até uma demanda reprimida porque muitas fábricas não conseguem nos atender com todos os pedidos de aparelhos”, destaca. Agenor informa que os tablets também já começam a substituir os tradicionais computadores.-Imagem (Image_1.325098)-Imagem (Image_1.325099)