A greve dos fiscais agropecuários e agentes de fiscalização da Agrodefesa, que já causa prejuízo a frigoríficos e laticínios, deverá inflacionar os preços da carne e do leite se governo e servidores não chegarem a um acordo. Dependentes da fiscalização obrigatória do órgão para dar vazão aos seus produtos, algumas empresas já reduziram em até 70% o ritmo de trabalho. Com os estoques em baixa, supermercados e açougues passarão a adquirir carnes por um valor mais alto e a tendência é de que a diferença chegue também às prateleiras. “O consumidor final poderá sentir o aumento já nas próximas duas semanas”, alerta Maurício Faganelo, delegado do Conselho Regional de Economia de Goiás. Ele prevê um acréscimo maior no caso dos laticínios. “Ao contrário de outros produtos, os lácteos têm prazo de validade muito curto e não podem ser armazenados.” Se a paralisação se prolongar, aponta o economista, carnes e leite deverão ser adquiridos de outras regiões e o custo do frete também chegará ao consumidor. Região produtora Os reflexos da greve da Agrodefesa podem ser sentidos com mais intensidade no Sudoeste, região responsável pela maior parte da produção agropecuária do Estado. O escritório regional de Rio Verde, que atende 23 municípios, não está emitindo guias de transporte animal. Sem o documento que averigua a qualidade dos animais, dezenas de leilões de gado foram suspensos. Somente em Rio Verde, cerca de 15 mil cabeças são comercializadas todos os meses. A fiscalização nas fronteiras deixou de ser feita e a preocupação agora é com a transmissão de doenças dos animais que entram e saem do Estado. Segundo o gerente da regional, Yuri Neumann Pereira Gomes, o setor administrativo não participa da greve, mas, sem o trabalho de fiscais agropecuários e agentes de fiscalização, os servidores ficam de mãos atadas. Para atender exigência legal, 30% dos funcionários continuam dando expediente. Os grevistas alegam que não têm reajuste desde 2006 e reivindicam aumento salarial de 70%. A Secretaria Estadual de Planejamento informou que o governo não possui condições de atender a exigência.