Economia

Bancos descumprem a legislação e demoram a repassar financiamentos de clientes

Procon-GO registrou mais de 1.500 reclamações só este ano

Zuhair Mohamad

O aposentado Myron Jacinto Silva, 63 anos, quita a 19ª parcela de R$ 262, 23 de um total de 72 parcelas iguais de um empréstimo consignado realizado pelo Banco Panamericano quando solicita um refinanciamento. A tentativa é captar um pouco mais de R$ 1 mil, que foi negada. A informação era de que só conseguiria o crédito quando pagasse a 25ª parcela do financiamento. Sem tempo a perder e precisando dos recursos, procurou o Banco Paraná, que topou firmar acordo. Foi quando começou, de fato, a dor de cabeça do aposentado.

De acordo com Myron, seguindo procedimento, o Banco Paraná solicitou, no dia 31 de outubro, a carta de saldo de crédito para fazer a portabilidade. Em vão. Na prática, as instituições bancárias têm apenas um dia útil para cumprir a lei e enviar o documento solicitado. Mas isso está longe de ser o que ocorre no dia a dia de milhares de aposentados em Goiás.

Segundo dados do Procon-GO, até o dia 30 de novembro, 1.526 pessoas procuraram o órgão para reclamar da demora dos bancos para atender esse tipo de pedido. Essa prática impede que a função da portabilidade bancária flua, ou seja, que clientes busquem e optem pelas melhores opções. Por outro lado, os bancos continuam deduzindo os valores dos clientes.

Para o órgão, essa é uma artimanha para desestimular a migração. “Eles fazem isso até que a pessoa desista de seus direitos”, afirma a supervisora de atendimento do Procon-GO, Renata Fleuri. É a mesma percepção do aposentado. “Tem exatamente um mês que pedi e eles insistem em não encaminhar o saldo devedor. Agora, recentemente, mandaram, mas com o número de parcelas errado. É tudo feito de propósito para que eu desista”, desabafa.

Myron também não acredita na eficiência do Procon, afirmando que o processo é demorado e que ele precisa da resolução rapidamente. Não é o que afirma a supervisora do órgão. Renata diz que os atendentes entram em contato com o banco via telefone onde, em sua maioria, os casos são solucionados. “Em alguns temos que enviar uma notificação para que se cumpra a solicitação e, em casos mais raros, segue para audiência”, afirma.

Os dados mostram que a situação já foi pior. No mesmo período do ano passado, o Procon registrou 1831 reclamações sobre portabilidade de crédito – um volume 20% maior. “O consumidor não tem deixado de reclamar. Acredito que os bancos, em virtude das ações fiscalizadoras dos órgãos de proteção e do Banco Central estão mudando de atitude”, diz Renata. Assuntos financeiros estão no segundo lugar de maior demanda no Procon-GO, ficando atrás somente de telefonia.

Segundo informações do Banco Panamericano os fatos relatados foram analisados e contatamos o cliente para prestar os devidos esclarecimentos.

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