Economia

Amianto: Arrecadação diminui R$ 10 milhões e causa apreensão em Minaçu

Rejeição ao produto e retração do mercado nacional fez principal empresa da cidade reduzir produção e impactou diretamente na Prefeitura

Cristiano Mariz/Divulgação
Pressionadas, indústrias brasileiras trocam amianto por fibras alternativas e o impacto é sentido em Minaçu

A Prefeitura de Minaçu perdeu R$ 10 milhões em arrecadação em dois anos, segundo dados do Portal da Transparência do município, e a principal explicação, de acordo com o prefeito, Nick Barbosa (DEM), seria a contínua e aparentemente irreversível retração do mercado nacional do amianto. A queda foi de R$ 65 milhões em 2014 para R$ 55,7 milhões no ano passado.

Minaçu, que completou 41 anos no domingo (14), tem a única mina de extração de amianto ativa do País, e foi afetada pelas constantes pressões estatais e de entidades civis organizadas diante de denúncias das ações nocivas do amianto no organismo humano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a recomendar a proibição definitiva do uso do amianto no mundo.

No Brasil, a proibição da exploração e consumo do amianto é debatida desde o fim da década de 1980 sem decisão. Porém, enquanto a discussão sobre o tema permanece travada na Justiça, pressionadas, as indústrias têm suspendido o uso do material por conta própria, impactando diretamente a principal fornecedora: a Sama Minerações, central para a economia de Minaçu.

“Nossos clientes sofreram muita pressão nos últimos três anos e substituíram o amianto por fibras alternativas. Assim, os contratos estão sendo encerrados e não renovados – a maior parte deles acabou em 2016 e o restante chega ao fim neste ano. Diante disso, tivemos que adequar nossa estrutura à demanda e os reflexos foram sentidos pelo município, que precisou arcar com uma menor contribuição tributária e com menos dinheiro circulando no comércio”, relata o gerente administrativo da mineradora, Wagner Calvo.

A Sama, que gerava mais de 1.100 empregos diretos e indiretos em 2014, emprega atualmente menos de 900 e a perspectiva é de diminuição nos próximos dois anos. Calvo explica que a empresa trabalha para reverter a situação, mas que isso não pode ser feito no curto prazo. “Diante da retração do mercado nacional, estudamos aumentar nossas exportações, mas isso demanda alguns meses de trabalho, uma vez que temos fortes concorrentes no exterior, como a Rússia e o Cazaquistão,” diz.

Perspectiva

As perspectivas de melhora econômica, de acordo com o prefeito Nick Barbosa, são para dois anos. “Se a represa retomar seu nível normal, e voltarmos a receber arrecadações maiores de ICMS, pode ser que consigamos um fôlego. Se não, somente com o início das atividades da Serra Verde”, relata.

Serra Verde é a mineradora que aguarda licença ambiental para instalar uma mina de terras raras na cidade com um investimento anunciado de aproximadamente R$ 532,1 milhões. O diretor financeiro da Serra Verde, Guilherme Guimarães, explica que a licença deve sair ainda neste ano, mas que o início das atividades está previsto para 2020.

“Com a licença, devemos começar a construir a mina no início do ano que vem, gerando mais de mil empregos diretos e indiretos. A construção deve durar cerca de dois anos e queremos começar a operar o quanto antes”, relata.

Queda da arrecadação
Dificuldade é explicada principalmente pela retração do mercado de amianto no Brasil

Impostos arrecadados em 2014: R$ 65 milhões

Impostos arrecadados em 2015: R$ 59,2 milhões

Impostos arrecadados em 2016: R$ 55,7 milhões

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