Economia

Alugar quarto é um bom negócio

Renda chega a R$ 6 mil por ano, em média. Procura por esse tipo de moradia cresce em Goiás e no País

Renato Conde
Maria Ribeiro começou a alugar quartos para ter uma renda extra, mas acabou gostando também das amizades surgidas: “É ruim quando vão embora”

 

Quem já buscou hospedagem na Europa ou nos Estados Unidos pela internet provavelmente encontrou várias ofertas de quartos em casas de família ou de profissionais, para alugar por temporada ou até para moradia. Este hábito comum no exterior tem sido adotado cada vez mais no Brasil e é uma modalidade crescente também entre os goianos, como fonte de renda extra.

Não é para menos: o aluguel de um quarto gira em torno de R$ 6 mil por ano no Estado, segundo média calculada pelo EasyQuarto. O site de busca possui o maior número de anúncios de quartos no País (25 mil) e está presente em 40 países. Em Goiás, 2.101 buscas por este tipo de acomodação foram feias no portal em 2012.

Este ano, somente nos seis primeiros meses, foram 1.800 buscas no Estado por meio do EasyQuarto, o que representa um aumento de 84% em comparação com o primeiro semestre de 2012. Enquanto isso, o número de quartos ofertados cresceu apenas 43,7% (250 registros), tornando a competição por um local ainda mais acirrada.

O site Airbnb, que está presente em maior quantidade de países (192), mas tem menor participação no Brasil (15 mil anúncios de quartos), também verificou um avanço de quase 100% no primeiro semestre, em Goiás. Outra fonte de comparação que aponta o crescimento desta modalidade de negócio no Estado são os Classificados de O POPULAR. No ano passado, foram feitos quase 4,4 mil anúncios para quartos e suítes no jornal. Este ano, já são 3.384.

elevação

Segundo o gerente geral do EasyQuarto no Brasil, Luiz Albuquerque, o aumento no número de usuários registrados no site é mais significativo no início do ano, gerando uma elevação também no preço do aluguel. Em Goiânia, a média é de R$ 500 mensais. “Tanto pessoas de fora quanto de Goiás podem estar à procura de quartos. Isso cria um mar de oportunidades para quem tem um imóvel sem utilidade alguma e é uma excelente maneira de gerar renda”, afirma.

Há um ano e meio, a comerciante Maria Ribeiro de Jesus Cavalcante, 43 anos, abriu sua casa para o primeiro inquilino e, desde então, já recebeu cinco pessoas. Ela possui uma casa com cinco quartos, mas apenas três eram utilizados por ela e os dois filhos universitários. Com o orçamento apertado por causa das mensalidades dos cursos particulares, a filha mais velha deu a sugestão de alugar um dos cômodos para uma colega de faculdade, que ficou na casa até se casar.

Depois disso, Maria tomou gosto pela ideia. Anunciou o quarto no jornal e passou a receber interessados. Já hospedou temporariamente um rapaz de Brasília, por meio do anúncio, e até uma bióloga grega, indicada por sua cunhada. As experiências foram tão boas que ela quis alugar o segundo quarto que sobrava na casa. Atualmente, hospeda um jornalista e um universitário e faz planos de dividir a copa para montar um terceiro quarto para locação.

Cobra R$ 500 por mês de cada um, incluindo as despesas com água, energia, internet, café da manhã e jantar. “Eu comecei a alugar para ter uma renda extra e isso me ajuda muito a manter a faculdade dos meus filhos. Mas depois, gostei também da reunião das pessoas dentro da minha casa. Eles passam a fazer parte da família como filhos. Faço a comida que eles gostam, ‘paparico’... O ruim é quando eles vão embora”, descreve Maria.

Cuidados

Como não pode ser considerado um serviço de hospedagem, como hotel ou pensão, que exige a existência de alvará pela prefeitura, o aluguel de quartos é regido, em parte, pela Lei do Inquilinato (número 8.245, de 1999). Em geral, o acordo é feito verbalmente, mas o presidente da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rodrigo de Moura Guedes, recomenda que as características sejam registradas num contrato, para resguardar as duas partes.

“Meu conselho é para que o locador conheça bem a Lei do Inquilinato ou esteja assessorado por um advogado, para que ele saiba o que pode ou não fazer. Afinal, mesmo que ele esteja usando o aluguel apenas para complementar a renda, não significa que não esteja sujeito às leis”, destaca Guedes.

Peculiaridades como o direito ou não do dono da casa de entrar no quarto alugado são algumas das possíveis dúvidas que podem surgir nesta relação. Uma delas é o acesso ao cômodo alugado. O advogado explica que, assim como num apartamento ou casa que é contratado inteiramente e onde o proprietário tem o direito de entrar para fazer vistoria, no quarto também há essa possibilidade. Mas isso deve ser combinado previamente, com agendamento de dia e hora e, portanto, o inquilino tem o direito de trancá-lo, cabendo uma reclamação judicial por danos morais, se houver desrespeito à privacidade.

Além disso, é importante ter cuidados sobre as referências de ambas as partes. O vice-presidente de Locação de Imóveis do Sindicato da Habitação de Goiás (Secovi), Benjamim Ragonezi, orienta que se busque informações da idoneidade da pessoa com que será fechado o negócio, se tem antecedentes criminais e até referências familiares.

Ele diz que não há demanda para quartos nas corretoras e frisa que, para ter sucesso na locação, o proprietário precisa estar atento para à boa apresentação e atualização no imóvel. “Hoje, a busca nas imobiliárias é por quitinetes ou apartamentos de um quarto com garagem para estudantes, solteiros, descasados e executivos, que ficam entre seis meses e um ano.”

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