O braçal Celsimar Ferreira, de 35 anos, preso na semana passada em Minas Gerais, foi transferido na quinta-feira à noite para Santa Cruz de Goiás, cidade vizinha a Pires do Rio, onde em janeiro ele teria matado o amigo André Néris da Silva, de 32, por asfixia. O delegado Eduardo Eustáquio, responsável pelas investigações, solicitou que o preso ficasse na cidade vizinha por motivo de segurança, já que o crime abalou a cidade. André, Celsimar e dois amigos estavam na casa do assassino confesso usando crack, fazendo um ritual que chamam de pega duplo, que consiste em um estrangular o outro para potencializar o efeito da droga. Segundo Celsimar contou em entrevista exclusiva ao POPULAR, ontem, ele cometeu o homicídio, mas disse que o crime foi acidental. Celsimar era ouvido ontem pelo delegado Eduardo Eustáquio sobre o crime e negou por diversas vezes ter comido partes do coração, do fígado e de um pulmão da vítima, encontrados dilacerados segundo laudo do Instituto Médico-Legal (IML). Usuário de drogas desde os 16 anos, quando começou a consumir maconha e depois passou para o crack, Celsimar disse que ao notar que o amigo estava morto, desesperou-se. Muito drogado, acabou discutindo com os outros dois usuários de crack, amigos dele, que estavam na casa também, no momento do crime. No depoimento prestado ontem, Celsimar entra em contradição quando diz que, apesar de bastante drogado – a ponto de matar o amigo por esganadura – estava consciente de tudo o que fez, para afirmar que não cometeu atos de canibalismo. O delegado Eduardo Eustáquio, porém, não acredita na versão de Celsimar. Segundo ele, três pessoas já confirmaram ter assistido a uma espécie de ritual. O lavrador Marcos Rodrigues, amigo de Celsimar e que também fumava crack no dia do crime com o grupo, disse ter visto o suspeito com o rosto, peito e mãos sujos de sangue. “Ele falava assim: falei que ia beber seu sangue, mas não vi ele fazendo isso”, contou. Eduardo Eustáquio não revelou o nome das outras duas pessoas que testemunharam o fato, mas acredita que, além de canibalismo, tenha ocorrido ritual de magia negra. Uma perícia informal chegou a ser feita no local pela polícia de Pires do Rio. “Foi só para que a gente entendesse a dinâmica do crime”, afirmou o delegado. Agora, Eduardo Eustáquio pretende fazer, com peritos do Instituto de Criminalística, a perícia oficial do caso. André foi morto por asfixia dentro da casa de Celsimar quando anoitecia. O corpo foi enrolado e levado de bicicleta até o Córrego Sampaio, a 600 metros da casa de Celsimar. Foi jogado no local e encontrado em adiantado estado de decomposição 14 dias depois. O suposto canibalismo foi descoberto quando o delegado recebeu o laudo cadavérico enviado pelo IML. Nele, confirmou-se que partes do coração, do fígado e de um dos pulmões da vítima estavam faltando. Para concluir o inquérito, o delegado Eduardo Eustáquio disse que precisa fazer a reconstituição apenas para “fechar” alguns pontos ainda discordantes nas declarações das testemunhas e do suspeito em relação ao estado em que a vítima foi encontrada. “Não vamos deixar nenhuma pergunta sem resposta, mesmo porque foi um crime que causou horror aos moradores”, contou.