Mais de 200 consumidores, segundo o Procon-GO, já procuraram o órgão, desde o início do mês, em busca de apoio para resolver demanda relacionada à Celg Distribuição. Desde maio - pelo menos-, eles não recebem, em casa, a conta de energia elétrica faturada pela empresa e, neste mês, o débito se acumulou, somando-se às contas dos meses de junho e julho. “É injusto isso, ter que pagar duas contas praticamente de uma única vez, se a culpa não é nossa. Quase ninguém sabe o que fazer diante desse problema; o que é direito do consumidor e o que não é”, afirma Marlene Fernandes Pereira, síndica em um condomínio de 45 apartamentos localizado no Setor Aeroporto, onde, conforme diz, 100% dos moradores não receberam as duas últimas contas de luz.“Todos estão atrás das contas, que não chegam. A informação que temos é de que a empresa terceirizada pela Celg, que fazia a entrega dos talões, não está mais fazendo o serviço. Para tirar segunda via nas lotéricas, também é injusto, porque tem taxa, de quase três reais. E nem todo mundo tem acesso à internet”, queixa-se Marlene. Ela conta que mantém uma sala comercial no edifício do antigo Cine Capri, no Centro, e paga as contas do apartamento, na Rua 8, de uma amiga que mudou-se para o Exterior. Nos dois imóveis, as faturas da energia elétrica também não chegaram.“Eu também não recebi meu talão de energia esse mês. E tive uma surpresa quando fui ao site da Celg para tirar a segunda via: meu gasto, de 79 kw/h e 38 reais, passou para 475 kw/h e 226 reais esse mês. Tomara que não demorem a vir verificar”, reclama Leidiane Miranda, moradora do Setor Tocantins, em Aparecida de Goiânia.De acordo com a superintendente do Procon-GO, Darlene Araújo, em função da demanda, o órgão esteve reunido, há uma semana, com representantes da Celg. Segundo ela, a empresa de distribuição de energia aderiu, na oportunidade, ao sistema de Carta de Informação Preliminar (CIF), em que o Procon-GO comunica, eletronicamente, as reclamações dos consumidores. “A maioria dos que estão nos procurando querem o parcelamento das contas. Estamos, então, fazendo a proposta individual do consumidor para a Celg, que, depois de analisar cada caso, pode decidir por parcelar ou prorrogar o prazo para o pagamento dos débitos. A Celg dará resposta para cada um dos consumidores”, explica.Darlene lembra que, embora, por lei, o atraso nas contas não justifique a inadimplência - se o serviço foi prestado pela empresa, sem prejuízo para os clientes -, o consumidor não pode ficar prejudicado por problemas internos da distribuidora de energia elétrica. A alegação da Celg, diz ela, foi interrupção da leitura/medição terceirizada dos imóveis. Nesse caso, quem, mesmo assim, não teve a energia cortada, deveria ter buscado outros canais com a Celg para proceder o pagamento das faturas atrasadas, o que não significa, contudo, que a empresa esteja isenta de responsabilidades.Vapt-VuptNa sexta-feira, O POPULAR visitou algumas unidades do Vapt Vupt na região metropolitana de Goiânia e constatou que todos apresentavam informes, afixados logo na entrada, dando conta de que não havia atendimento para a Celg e “sem previsão de retorno”. Foi o caso das unidades do Buriti Shopping, em Aparecida; do Shopping Buena Vista, no Setor Bueno, e do Banana Shopping, no Centro da capital.Bruno Perillo, superintendente do Vapt Vupt, explicou que a companhia de distribuição energética utilizava, nos guichês disponibilizados nas unidades, pessoal terceirizado, desligado da empresa. “Demos o prazo de 30 dias, que já está correndo, para a resolução do problema e a volta ao atendimento da Celg nas nossas unidades. A ideia é que os novos contratados passem, ainda, por treinamento com o nosso pessoal, para que realizem o serviço de forma adequada”, completou.Procurada pela reportagem a Celg Distribuidora informou, por meio de nota enviada pela Assessoria de Comunicação, que os serviços de entrega de fatura, ligações novas e religações foram afetados devido ao descumprimento de contrato da empresa terceirizada para realizar os trabalhos. “A mesma passou por dificuldades financeiras e não conseguiu efetuar os serviços. Portanto, a Celg teve que contratar nova empresa, processo que demanda um certo trâmite em função do cumprimento de lei que empresas públicas devem obedecer para realizar novas contratações”, argumentou a distribuidora.-Imagem (Image_1.608406)-Imagem (Image_1.608405)