Quatro militares investigados na Operação Sexto Mandamento, desencadeada pela Polícia Federal em fevereiro de 2011, irão a júri popular. A decisão foi proferida pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, nesta segunda-feira (10). Os militares Vitor Jorge Fernandes, Cláudio Henrique Camargo, Alex Sandro Souza Santos e Ricardo Rodrigues Machado serão julgados pela morte do vendedor Murilo Alves de Macedo, ocorrida no dia 27 de agosto de 2010. Outros dois militares que inicialmente estavam envolvidos no processo, os subtenentes Fritz Agapito Figueiredo e Hamilton Costa Neves, foram retirados do julgamento. Segundo o advogado Tadeu Bastos, que representa o militar Fritz Figueiredo, os dois subtenentes foram desconectados do caso depois de ter sido comprovada a não participação na troca de tiros ocorrida com a vítima. “Fritz e Hamilton estavam em patrulhamento quando viram um suspeito em um Honda Civic. Eles contataram o COPOM e descobriram que se tratava do veículo roubado de uma oficial da Polícia Militar. Os dois apenas acionaram as viaturas da Rotam e não participaram da perseguição que houve em seguida. Esta versão foi confirmada pela perícia, que afirmaram que os dois não efetuaram disparos na troca de tiros com o suspeito”, explicou. Na época em que a Operação Sexto Mandamento foi desencadeada, 19 militares foram presos suspeitos de crimes de homicídio, ocultação de cadáver, formação de quadrilha, tortura qualificada, falso testemunho, prevaricação, fraude processual, posse ilegal de arma de fogo de calibre restrito e ameaça contra autoridades públicas, jornalistas e testemunhas. No entanto, desde então, a apuração dos crimes e o andamento das ações na Justiça não tiveram muitos avanços.Na decisão proferida pelo juiz Jesseir, os quatro réus serão julgados por homicídio em duas qualificadoras: motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. “Com a retirada dos dois militares do julgamento, eu acredito que a justiça começou a ser feita. Acredito também na inocência dos outros acusados”, concluiu o advogado Tadeu Bastos.