Numa semana marcada por protestos em todo o País, os servidores públicos estaduais reservaram a manhã de ontem para dar o seu recado de indignação. Inconformados com o anúncio oficial do governo de Goiás do dia 13 de concessão do índice de reajuste salarial de 6,2% parcelado em quatro anos, referente à data-base 2013, servidores públicos, ativos e inativos, foram para as ruas centrais de Goiânia protestar. O movimento, que começou às 9h30, na Praça do Trabalhador, no Centro da capital, terminou no fim da manhã diante do Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Recebidos pelo secretário de Gestão e Planejamento, Giuseppe Vecci, e pelo chefe de gabinete da Governadoria, João Furtado Mendonça Neto, num encontro tenso, líderes do movimento ouviram a promessa de que a reivindicação será levada ao governador Marconi Perillo. O protesto chamou a atenção pelo barulho dos carros de som, do apitaço e das palavras de ordem. Bandeiras, narizes de palhaço, adesivos e muitos cartazes coloriram a manifestação. Já aposentado e se tratando de um câncer de pele, o professor Alberto Franco, de 63 anos, veio de Alvorada do Norte participar do protesto. A bandeira vermelha no ombro contrastava com os cabelos brancos. “Minha aposentadoria só está reduzindo. Esse dinheiro me faz falta”, alegou. Tendo à frente um carro da Polícia Militar e apoiados por agentes da Secretaria Municipal de Trânsito (SMT), os manifestantes subiram a Avenida Goiás sem tumulto. Mesmo os dez minutos de paralisação na Praça do Bandeirante, com interrupção do tráfego, não causaram reclamações. “O que está acontecendo?”, questionou a dona de casa Ivoneide Leal, de Iporá. Passeando em Goiânia, ela foi surpreendida pela passeata no Centro. “É, está certo”, concordou a ouvir a resposta antes de aceitar um dos milhares de panfletos distribuídos à população pelos representantes do Fórum de Entidades dos Servidores Públicos Estaduais. “Isso não é proposta, é provocação”, disse Bia de Lima, presidente da Central Única dos Trabalhadores, ao microfone. Um dos dois parlamentares estaduais a participar da manifestação, o major Araújo sugeriu: “Pede pra sair”, em referência ao governador Marconi Perillo. A frase foi repetida várias vezes pelos servidores. Também marcou presença no protesto o deputado Mauro Rubem (PT). Diante do Centro Administrativo, mais palavras de ordem e som na caixa. Por volta das 11 horas, os líderes do movimento foram comunicados que seriam recebidos pelos representantes do governo, mas o encontro não agradou. Titular da Segplan, Giuseppe Vecci informou que a proposta dos servidores estaduais de receber o índice de 6,20% de uma única vez será levada ao Conselho Estadual de Políticas Salariais e Relações Sindicais (Consid). “Estamos ajustando as finanças. Não podemos quebrar o Estado”. Para o Giuseppe Vecci o mais importante é que a data-base está assegurada.-Imagem (Image_1.343818)