Você é nomobofóbico? A palavra pode até parecer estranha, mas seu significado está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. Se você não é um nomofóbico (confira significado no quadro), com certeza conhece alguém que parece ser. Basta observar se a pessoa não consegue desgrudar do celular, seja na hora de dormir, comer e até mesmo de tomar banho. O aparelho tem, aos poucos, se tornado uma espécie de extensão do corpo humano. Em alguns países, inclusive, a dependência do celular já é tratada não só como questão individual, mas como problema de saúde pública.Apenas o aviso de que a bateria do celular está para acabar, por exemplo, já apavora o empresário Romário Sena. “É desesperador. Fico antenado 24 horas e durante toda a noite o celular fica carregando, porque posso receber uma ligação a qualquer minuto. Quando eu acordo, a primeira coisa que faço é conferir as mensagens que chegaram”, diz.Parece algo comum, mas essa necessidade de checar o celular a cada cinco minutos, ou de não suportar a ideia de ficar longe do aparelho é um distúrbio: justamente a nomofobia. O nome vem do inglês no mobile phobia, que significa a fobia de ficar sem celular.E o distúrbio tem crescido entre os goianos. “Não só aqui, mas em todo o mundo, devido ao aumento do acesso à tecnologia”, esclarece o psiquiatra. Como já reportado pelo POPULAR, o número de celulares em Goiás é superior ao número de habitantes (leia mais em quadro ao lado), conforme o levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) realizado este ano.linha tênueHá uma dificuldade, porém, de diferenciar quem possui o transtorno. A linha entre a normalidade e a obsessão é tênue. O médico psiquiatra Dhin Ally Untar explica que a maneira mais fácil de identificar o problema “é quando o comportamento compromete as funções da pessoa. Tanto familiar, como social e colaborativa. O diagnóstico é quando há sofrimento nesse distanciamento da tecnologia”.China, Japão e Coreia do Sul já reconhecem o vício em tecnologias como um problema de saúde pública. No Brasil, o problema começa a ser reconhecido. No Rio de Janeiro fica o Instituto Delete, um dos primeiros no País a tratar de pessoas dependentes de internet.ExageroO coach Julio Moura relata que a relação entre seus clientes e a tecnologia mudou. “O que percebo quando vou atender, na maioria das oportunidades para vestibular ou concurso, que as pessoas passam muito tempo livre na internet, ou no celular. Exageram. E isso dificulta no estudo. Estudar hoje pela internet é um desafio. Tem muitas distrações”, conta. “E é difícil das pessoas admitirem que exista certa dependência, acham que é algo comum”, complementa.Essa negação, segundo Julio, lembra a atitude de um dependente químico. “É um comportamento similar. Por exemplo, um alcóolatra acredita que pode parar de beber a qualquer minuto. Que domina isso, mas é justamente o contrário”, argumenta.Para evitar exageros, o psiquiatra Dhin Ally Untar sugere deixar os aparelhos eletrônicos de lado na hora das refeições, estudos ou trabalho e até em momentos de lazer. “Tirar uma foto e postar durante um encontro com os amigos, tudo bem, o que é exagero é ficar nas redes enquanto as coisas acontecem ao redor. É preciso se desligar do mundo digital e viver o mundo real”