Cidades

Médico diz que menina não reagiu à cirurgia

Vítima de um tiro na cabeça, garota continua internada na UTI do Hugoem estado gravíssimo

 

Continua gravíssimo o estado de saúde da menina Kerolly Alves Lopes, de 11 anos, atingida no sábado por dois disparos efetuados pelo comerciante George Araújo de Souza, de 24, dono da Pizzaria Saborear, na Vila Alzira, em Aparecida de Goiânia. Na manhã de ontem, em entrevista coletiva, médicos do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) afirmaram que Kerolly não tinha apresentado respostas positivas à neurocirurgia realizada assim que deu entrada na unidade de saúde, no início da tarde de sábado, carregada pelo pai, o serralheiro Sinomar Firmino Lopes, de 36. A garota permanece internada na unidade de tratamento intensivo (UTI),

Kerolly Lopes, de acordo com o chefe da equipe de neurocirurgiões do Hugo, Marcos Spadoni, chegou ao hospital com um grau de coma bastante avançado. Ela tinha uma lesão transfixiante e um coágulo no lado direito do cérebro (veja quadro). “O coágulo foi drenado, mas ela não teve resposta neurológica significativa. É um caso muito delicado”. Kerolly respira com a ajuda de aparelhos e a pressão é mantida com o uso de medicamentos.

Diretor técnico do Hugo, Nasser Tannús explicou que a unidade possui todos os equipamentos necessários para atender a menina, mas neste momento nada pode ser feito, a não ser esperar. O médico explicou que embora Kerolly tenha sido levada ao Hugo pelo próprio pai no carro da família, fora do sistema de regulação que rege as unidades públicas de saúde, ela foi atendida prontamente devido à gravidade do caso. “As 72 horas após a ocorrência são as mais críticas. Depois desse período o risco de piora começa a diminuir”, explicou o neurologista Marco Spadoni sobre o prazo que termina nesta quinta-feira. Ele disse que as chances da menina sobreviver são pequenas, mas existem. Sobre sequelas, afirmou que elas são analisadas para um período de médio e longo prazo, mas é provável que elas ocorram. Kerolly também foi ferida na perna, mas a lesão na cabeça é que está definindo o seu futuro.

A garota foi atingida pelos disparos ao tentar defender o pai, que discutia com o proprietário da pizzaria. Ela e a irmã de 14 anos acompanharam Sinomar ao estabelecimento. Os dois tinham se desentendido há cerca de dois meses por causa da demora para a entrega de uma pizza. No dia do crime, as duas meninas tiraram o pai do estabelecimento e tentaram protegê-lo com os próprios corpos aos gritos, pedindo a George para abaixar a arma. Mesmo assim o proprietário da pizzaria atirou e fugiu no carro da mulher, que estava parado em frente.

Na terça-feira, o juiz Leonardo Fleury Curado Dias, da 4ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia, decretou a prisão temporário do comerciante, mas ele não tinha sido localizado até fechamento desta edição.

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