O administrador Kleber Alves de Morais (34) e o supervisor Mazukielves Pereira (33) é o primeiro casal gay a registrar o pedido de casamento civil em um cartório goiano após resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Eles entraram com o pedido na manhã de ontem, no Cartório Antônio do Prado, em Goiânia. A determinação, que tem como autor o presidente da CNJ, Joaquim Barbosa, entrou em vigor no dia 16, e obriga os cartórios a realizarem tanto a conversão da união estável para o casamento quanto o casamento diretamente. Os cartórios também não poderão rejeitar o pedido como faziam anteriormente. “O registro de casamento civil facilitará o cumprimento de garantias já previstas aos casais heterossexuais, como divórcio, pensão em caso de morte, comunhão de bens, ser considerado herdeiro necessário, além de ser uma questão cultural. É uma grande conquista”, explica a advogada Chyntia Barcellos. A advogada explica que após o casal marcar a data, a solicitação é publicada em documento oficial e depois do prazo padrão de 30 dias, que também existe para o casamento heterossexual, se não surgir nenhum impedimento, é feito os proclames. Antes da resolução, alguns cartórios goianos já realizavam a cerimônia, mas os casais precisavam recorrer à Justiça para oficializar a união. Segundo informações do Cartório onde Kleber e Mazukielves registraram o pedido, antes da decisão apenas dois casais haviam solicitado a habilitação de casamento civil. O casal, que está junto há quase dez anos e já havia registrado a união estável em maio de 2011, preferiu esperar. O casamento foi pré-agendado par ao dia 20 de junho. “Admiro as pessoas que lutaram judicialmente, mas acreditava que este direito seria conquistado em breve e sempre quis fazer as coisas com calma. É uma conquista que nos deixa muito felizes. Será a renovação dos nossos votos”, relata Kleber. Eles fizeram questão de compartilhar o momento com os amigos e publicaram um registro nas redes sociais, onde receberam mensagens de admiração, apoio e votos de felicidade. Mazukielves, que adotará o sobrenome de Kleber, conta que eles já estão organizando uma cerimônia em um espaço de festas onde o juiz de paz realizará o casamento. “Queremos celebrar este momento junto dos nossos amigos e da nossa família, que sempre nos apoiou”. Quanto ao preconceito enfrentado, eles acreditam que a decisão do CNJ seja mais um passo para o reconhecimento dos direitos. “Não queremos gerar nenhuma discussão religiosa, só queremos constituir a nossa família juridicamente e garantir a nossa liberdade de amar quem queremos”, afirmou.-Imagem (Image_1.327056)