-Imagem (1.717053) Se a linha de transmissão da Subestação Carajás na Região Sudoeste não for concluída até julho do ano que vem pode haver racionamento de energia em Goiânia. A declaração é do presidente da Celg, Leonardo Lins, que ontem esteve reunido com o diretor técnico da estatal, engenheiro eletricista Humberto Eustáquio Tavares Corrêa, discutindo alternativas para solucionar o impasse criado pelos moradores do Parque Anhanguera, que não querem a instalação da rede elétrica de alta tensão no setor.Segundo o vice-presidente da Celg, Elie Chidiac, foram levantadas até agora três possibilidades de mudança no projeto original para atender à população: criar desvios na rota da linha; separar os cabos, criando duas redes que passariam uma direta e outra a esquerda do bairro; e construir uma linha subterrânea, cujo custo varia de cinco a dez por cento a mais que a linha de superfície. Apenas 5% das linhas de 138 mil volts instaladas no Brasil são subterrâneas.Todas essas alternativas já haviam sido estudadas antes de a empresa optar pelo modelo que vem sendo implantado, de postes no canteiro central da avenida. Segundo Leonardo Lins, os estudos apontaram que esta é rede elétrica de menor impacto ambiental e mais adequada para o local. No trecho da linha próximo à Subestação de Carajás os postes estão instalados na calçada da rua, que não tem canteiro central. Nesse local, a distância da rede das casas é de apenas 1,5 metros, afirma Mauricio Queiros, morador do Parque Anhanguera.Por causa das reclamações dos moradores, a obra está suspensa desde ontem por decisão do presidente da Eletrobrás, José da Costa Neto, que se comprometeu na quarta-feira, 19, a ouvir os manifestantes, que estão acampados desde a última terça-feira na Avenida Contorno Sul. “Diante da promessa pública do presidente da Eletrobrás a Celg não tinha como não cumprir”, observa Lins. Todavia, ele tem convicção de que a linha de transmissão obedece toso os parâmetros exigidos. “Essa obra está licenciada nos órgãos ambientais e na Prefeitura de Goiânia desde 2009 e só não foi feita antes por questões financeiras.”Essa é a segunda vez que a obra é paralisada. A primeira, em final de outubro, foi por força de liminar judicial, que a Celg conseguiu derrubar em menos de dez dias. Essas paralizações aumentam o custo da obra, uma vez que a empresa contratada fica impedida de trabalhar, afirma o presidente, mas não trazem prejuízos para a Celg, que repassa a diferença para o consumidor, completa Lins.Os moradores da região argumentam que a linha de transmissão cria um campo eletromagnético que causa câncer, uma tese controversa que é debatida em todo o mundo, mas que tem seus defensores. O presidente da Celg afirma que não há comprovação científica de que as redes de alta tensão provoquem algum mal à saúde das pessoas. “O telefone celular também cria um campo eletromagnético ainda mais intenso, porque é de alta frequência enquanto o da rede elétrica é de baixa frequência.”Para o professor de Instalações Elétricas do curso de arquitetura da PUC, Orlando Lisita Jr., a radiação emitida pela rede pode vir a provocar câncer, mas isso vai depender do tempo em que a pessoa está exposta e da intensidade da radiação. Ele afirma, no entanto, que a rede que vem sendo construída pela Celg obedece às normas definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Não há risco para a saúde dos moradores”, afirma o professor. Segundo ele, é preciso exigir que a Celg faça a compensação ambiental. Elie Chidiac defende que os laudos - dos moradores e da empresa - sejam confrontados.-Imagem (Image_1.717047)