O presidente da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) e secretário de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Goiânia, Eduardo Zaratz, admitiu ontem que a decisão do órgão de reduzir a tarifa do transporte coletivo da região metropolitana de R$ 3 para R$ 2,85 se deu por pressão popular, em razão da série de protestos realizados na capital contra o aumento do sitpass. Membros do colegiado ouvidos pelo POPULAR confirmam que a insatisfação generalizada dos usuários do sistema foi levado em conta para a queda no preço da tarifa. Uma liminar concedida pelo juiz Fernando de Mello Xavier, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, mantém a tarifa em R$ 2,70, até que os cálculos sejam refeitos. “Existe um consenso de que estamos em um momento conturbado, em que a população tem descrença nas instituições. É preciso respeitar este momento e o anseio das massas. Sabemos que vamos enfrentar este ônus com as empresas do sistema, mas o momento é este”, disse Zaratz. Pelo menos 6 cidades no Brasil, incluindo Goiânia, baixaram o valor da tarifa após os protestos de ontem. Ao todo, desde o começo do mês, já são pelo menos 13 municípios. O valor de R$ 2,85 definido na reunião não levou em conta o estudo elaborado pela Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), que apontava uma tarifa de R$ 2,90. O estudo nem foi à votação. Ainda falta a CDTC concluir e divulgar a deliberação com o novo valor da tarifa. A publicação foi adiada para hoje porque a equipe técnica da CMTC não conseguiu finalizar o documento, que ainda possui elementos a serem definidos. Um deles é o valor da meia passagem, para o Eixo Anhanguera e para o Passe Escolar. Assim que a deliberação ficar pronta, a câmara irá informar a Justiça para que sejam tomadas providências em relação à liminar que determinou o valor de R$ 2,70 para o sitpass. “Já avisamos o juiz responsável sobre a reunião que fizemos e a deliberação com o novo valor da tarifa. A CDTC é soberana nesta discussão e, com a publicação da deliberação, o juiz (Fernando de Mello Xavier) poderá analisar o que fazer”, disse Zaratz. O Procon Goiás - autor da ação que culminou com a liminar - ainda espera a divulgação da deliberação da CDTC para avaliar se os cálculos atendem os direitos do consumidor. O Procon queria que a passagem fosse para R$ 2,82, arredondados para R$ 2,85 por causa do Programa Ganha Tempo. As empresas se reuniram na manhã de ontem e também decidiram por esperar a deliberação da CDTC, até para saber qual será a justificativa do órgão para a redução da tarifa. Na segunda-feira, os empresário já sinalizaram contrariedade com a decisão, afirmando que não foi feita com base em cálculos, desrespeitando contrato de concessão. A Cooperativa de Transportes do Estado de Goiás (Cootego), no entanto, entrou com ação judicial na segunda-feira contra a liminar que fixa a tarifa em R$ 2,70. O caso foi levado à Presidência do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que deu 72 horas para que o Procon Goiás e a Procuradoria-Geral da Justiça de Goiás (PGJ) se manifestem.