Cidades

Calçada vira boca de fumo

Concentração de usuários eleva quantidade de ocorrências e sensação de insegurança

 

De segunda-feira para cá, as imediações da Câmara Municipal de Goiânia, no Centro, serviram de cenário para pelo menos cinco situações envolvendo agressão e tentativas de homicídio contra pessoas em situação de rua e usuários de droga. Ontem, um rapaz de 25 anos foi esfaqueado em frente ao prédio e, na terça-feira, o usuário Robson Nonato de Souza, 29, chegou a cair ferido no pátio, pedindo por socorro, vítima de uma facada no tórax. O contexto, ao mesmo tempo, que incomoda os moradores da região, tem acentuado a sensação de insegurança dos servidores e a presidência do Legislativo da capital reconhece a dificuldade de se encontrar uma solução.

Ontem à tarde, o POPULAR esteve na Câmara e tentou conversar com os usuários que estavam na calçada fazendo uso do crack. Acuados e com medo dos últimos episódios, eles não quiseram entrar em detalhes e disseram, somente, que não poderiam falar, senão seriam os próximos a sofrer alguma represália. As notícias envolvendo mortes e tentativas de homicídio contra moradores de rua voltaram à tona, desde a semana passada, com o assassinato de uma mulher na Avenida Leste-Oeste, 33ª vítima desde agosto, e agora com a recorrência de casos, especialmente nas proximidades da Câmara.

Na noite de terça-feira, por volta das 21h30, a Polícia Militar atendeu a ocorrência em que o menor E.M.C., de 17 anos, foi atingido por dois disparos, um no tórax e outro nas costas, na distribuidora de bebidas que fica na esquina da Avenida Goiás com a Independência. Mais tarde, na madrugada de ontem, às 3h30, a vítima foi Rafael da Conceição Santos, de 19 anos, que estava dormindo na mesma calçada da Câmara Municipal, onde os usuários estão concentrados, quando dois rapazes de bicicleta passaram e efetuaram os tiros que o atingiram no braço e na costela. As duas vítimas foram socorridas.

Homicídios

Dos 33 homicídios de moradores de rua, oito ocorreram na região: na Praça do Trabalhador (4), na Avenida Independência (3) ou próximo ao Terminal Rodoviário (1). Quem transita pelo local diariamente diz que o quadro tem piorado e o sentimento de insegurança crescido por causa da recorrência dos fatos, a qualquer hora do dia.

Ricardo Rafael
Usuários de crack em frente ao prédio da Câmara Municipal de Goiânia, no Centro
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