A implantação do Bus Rapid Transit (BRT) no Corredor Norte Sul vai provocar desapropriações em trechos de aproximadamente 500 lotes ao longo do trajeto. Será necessário tornar públicas as fachadas de terrenos localizados em 5 das 11 vias (veja quadro). Nas outras, embora as chances sejam menores, não está descartada a possibilidade de desapropriação, principalmente onde há pontos de ônibus e trincheiras. Os locais exatos serão determinados em projeto executivo, que começa a ser elaborado em 20 dias. As tomadas de posse deverão ser iniciadas em outubro deste ano. O início das obras das paradas e dos terminais de ônibus - incluindo a construção de novos, como o Correios e o Perimetral - está previsto para dezembro/janeiro e das intervenções nas vias, que implicará em desvios no trânsito, para março/abril do próximo ano. O projeto deverá ser executado em dois anos. Na semana passada, a Prefeitura publicou decreto que declara trechos de 2.550 lotes ao longo das vias como áreas de utilidade pública para efeitos de desapropriação. Significa dizer que, caso haja necessidade, o Poder Público pode comprá-los, mesmo contra a vontade dos proprietários. Embora o decreto englobe toda a área lindeira ao corredor, um dos supervisores gerais do projeto, Benjamin Kennedy Machado da Costa, estima que será necessário tornar públicos parte de cerca de 500 lotes localizados ao longo de 50 quadras, e que totalizam menos de 20 mil m². A estimativa anterior, que consta no projeto básico da obra, era 40,3 mil m² de desapropriações nas mesmas quadras. A redução se deu, explica o supervisor, devido à diminuição em 4,6 metros na largura mínima necessária para implantação do traçado. A largura ideal das vias para os padrões do BRT é de 32 metros. Como em cinco das vias a distância entre muros é menor do que esta, o projeto básico já trazia uma previsão restrita, cuja largura era 29 metros. O supervisor diz que, para reduzir ainda mais as desapropriações, a dimensão caiu para 24,4 metros, número que constará no projeto executivo. Desta forma foi possível reduzir a metragem dos terrenos a serem tornados públicos e poupar alguns dos lotes. O valor dos trechos de imóveis a serem desapropriados deverá ser determinado por meio de estudos e acordado com os proprietários. Quem não concordar com o preço poderá recorrer à Justiça, mas o direito de posse será transferido para a Prefeitura enquanto a pendência se desenrola. Desta forma será possível dar continuidade à obra. Trincheiras Estão previstas duas trincheiras para o trajeto. A primeira passagem em desnível será na interseção da Avenida Rio Verde com as avenidas Tapajós, José Rodrigues Neto e rua Paraguaçu. Nestes locais será necessária desapropriações. A segunda se localiza no encontro da Rua 90 com a Avenida 136/Jamel Cecílio. Por se encontrar na Praça Delmiro Paulino da Silva, é preciso esperar o projeto executivo para saber se haverá compra de terrenos por parte do município. O Colégio Estadual Parque Amazônia, localizado entre a Alameda Imbé e a Avenida Rio Verde, no bairro homônimo, é a única construção que será completamente desapropriada, para implantação da trincheira. Os supervisores da obra, Benjamin Kennedy e Leandro Helou, afirmam que o Estado já concordou com a transferência do terreno.