Prestes a completar 73 anos, o comentarista esportivo Manuel de Oliveira era o retrato da dor e da impotência na manhã de ontem, em seu clube, no Parque Santa Rita, quando recebeu a imprensa para falar do assassinato do filho, o também comentarista esportivo Valério Luiz. Muito abatido, ele chamou de “profissional” o homem que executou o filho com sete tiros nas proximidades da Rádio Jornal 820 na tarde de quinta-feira, 5 de julho, e pediu ajuda à imprensa, ao governador Marconi Perillo, às instituições de Direitos Humanos e às redes sociais para elucidação do crime. Mané, como é conhecido, admitiu que Valério Luis tinha um estilo agressivo e exagerado em seus comentários esportivos, mas desafiou qualquer pessoa a provar que ele estivesse envolvido com agiotas ou amantes, como chegou a ser veículado. “Ele não tinha inimigos claros. Se alguém souber de alguma intriga em que o Valério estivesse envolvido que fale à polícia para que não seja cometida injustiça.” Mané de Oliveira contou que Valério Luiz o teria procurado para comentar sobre os problemas que estaria enfrentando por causa de críticas que teria feito a dirigentes do Atlético Clube Goianiense. “Sozinho não darei conta de descobrir não só o profissional, mas aquele covarde que mandou executar meu filho. Este é o verdadeiro bandido, porque não teve coragem de enfrentá-lo frente a frente. O crime foi feito um profissional de alta periculosidade e frio. Foi um crime encomendado, sim”, disse. Embora incisivo em suas afirmações durante a entrevista coletiva, em nenhum momento Mané de Oliveira citou nomes. Chefe da equipes de esportes da TV Brasil Central, Mané de Oliveira estava no estúdio quando foi avisado que o filho tinha sido baleado. Ele só foi informado que Valério não tinha sobrevivido ao questionar porque o socorro não tinha sido chamado. Naquele momento, diante de câmeras de TV, o comentarista gritou que sabia quem tinha feito aquilo. “Eu desafio por mais frio que seja um pai, ao chegar ao local da execução do filho, da maneira como foi, que não tenha a reação que eu tive. Com toda a sinceridade, eu só não disse nomes porque não tenho provas, senão teria dito mesmo. E não me importaria de ser executado como meu filho foi”, desabafou. Para o comentarista, críticas fazem parte do futebol. Mané de Oliveira contou que por nove vezes, há mais de 15 anos, foi agredido fisicamente, mas “por dirigentes de coragem, que chegavam frente a frente” e que hoje é amigo de seus detratores. “Não lembro, no Brasil de que um cronista esportivo tenha sido assassinado. É um dos maiores absurdos do esporte. Já vi isso com jornalista político e de polícia, mas na imprensa esportiva? E tinha que ser com o meu filho que eu levei para essa profissão? Se foi alguém do futebol, o futebol levou a vida do meu filho”.-Imagem (Image_1.174922)