Cidades

Três perguntas para a madrasta de Robertinho

Testemunha da morte do enteado fala do drama vivido pela família

1- Como está a família da senhora agora?
Nossa vida parou naquela noite de segunda-feira. Eu parei de trabalhar, meus filhos pararam de ir para a escola, saímos de nossa casa. Estamos escondidos na casa de parentes. Meu marido viu o filho ser morto e foi baleado. Ele está no hospital tentando se recuperar. Meus filhos não conseguem apagar a cena da morte do Robertinho. É preciso que entendam o que vivemos. Foram momentos de terror.

2- A senhora preferiu não ficar na casa?
Estou com medo e agora vivo mais escondida. Quando entraram na nossa casa nós achamos que eram bandidos. Quando bandidos entram na casa da gente, a gente chama a polícia. E quando é a polícia que entra na casa da gente? A gente chama o bandido? Não! Não tem como chamar ninguém. É um momento muito difícil. Sentimos que não temos a quem recorrer. A polícia chegou na nossa casa de noite, apagou a energia elétrica e atirou de fora para dentro, sem falar nada. Depois invadiu nossa casa e atirou mais vezes. O Robertinho pedia pelo amor de Deus para não fazerem nada com o pai dele. Ele estava sentado, com a perna baleada. Implorava para eles não fazerem nada. Mataram o filho do meu marido e balearam meu marido. Eu gritava o tempo todo, mas depois eu parei com medo deles me matarem também e de matarem meus dois filhos.

3- Seu marido chegou a atirar nos policiais?
Quando ele foi baleado, estava com uma chave de fenda na mão mexendo no motor do portão para abrir e ver quem estava lá. Ele foi surpreendido. O revólver caiu debaixo do carro. Ele não atirou. Estava baleado, caído no chão. Um policial perguntou onde estava a arma e ele falou que estava debaixo do carro. O policial pegou o revólver e atirou no portão de dentro para fora e deixou o revólver do lado do Roberto. Outro policial, um que estava com uma mochila nas costas e muito nervoso, perguntava onde estava a droga e eu disse que ali só tinha trabalhador. Eu pedia para religar o padrão e ele falava que não ia adiantar, porque um já estava morto e outro baleado. Em nenhum momento eles chamaram por socorro. Quem chamou o socorro foi um vizinho nosso. A energia só foi religada pelos PMs quando eles já ouviram o barulho de sirenes chegando em casa. O Robertinho já estava morto e meu marido gemendo de dor, baleado. Ninguém fazia nada. Foi um cenário de horror.

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