Cidades

“Quando não tem patrulha, fico insegura”

Você ficou quanto tempo casada com o seu marido?

Foram 16 anos. Casei quando eu estava prestes a completar 18 anos.


Como era o homem que você conheceu?

Carinhoso, tímido, reservado...


E como esse homem estava agora no final da relação?

Eu não o reconhecia mais. Esse homem eu não conheço. Não me inspira confiança mais. No meio das pessoas, ele sempre me tratava bem, mas depois...


Isso te surpreendeu?

Sim, claro, porque o agressor não é a mesma pessoa com quem você se casou. Ele vai mudando pouco a pouco e mostrando-se... Ele vai xingando, ficando nervoso, agressivo, de repente dá uma pegada no braço de forma mais agressiva. Muitas vezes, você pensa que é só nervosismo, que ele está irritado ou que você mesma tenha feito algo errado. É lento o processo. Ao chegar ao nível da agressão é porque o caso já está realmente sério e, às vezes, eu não percebia. Quando fui pedir ajuda é que eu, finalmente, esclareci muita coisa na minha mente. Às vezes, a gente pensa que é só um momento de raiva, que vai passar e que logo ele vai voltar a ser aquela pessoa com quem a gente casou, mas não.


O que ele chegou a fazer?

Ele queria agredir mesmo, queria me bater, chegou a fazer atos mais graves na hora de dormir, na cama.


Além da violência verbal e física, teve sexual?

Sim, sexual.


Existe uma medida protetiva te resguardando. Ela estipula o quê?

A distância dele de mim de 300 metros, ele não pode estabelecer contato e teve de sair da casa onde morávamos, porque, antes, eu que tive de sair fugida. Passei a noite planejando como seria a minha fuga e, no dia seguinte, passei no colégio, peguei meus filhos e fugimos juntos.


Como está hoje? Você recebe visitas da Patrulha Maria da Penha?

Sim. A Patrulha está vindo. Como eu trabalho, eles vêm quando sabem que eu estou em casa, uma vez por semana, nos feriados e sempre mantendo o contato por meio do WhatsApp.


Nos dias e horários que a Patrulha não funciona, te gera alguma insegurança?

Gera, porque na hora que precisamos entrar em contato com a patrulha, quando eu procuro pelo WhatsApp, logo as policiais me respondem, às vezes ligam só para conversar mesmo. E nos outros dias, os outros policiais respondem? Não. Isso me dá medo.


Só o papel da medida basta para você?

Não. Eu não confio só nisso. Precisa do acompanhamento policial. Às vezes, é por isso que muitas mulheres desistem. Isso só está num papel que está no processo. Muitas mulheres morrem por isso.


Hoje você sabe onde ele está?

Não sei. Não tenho noção.


Você tem medo de encontra-lo casualmente?

Tenho.

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