-Imagem (1.1243366)Um vídeo que teria sido gravado por policiais do Grupo de Patrulhamento Tático (GPT) de Uruaçu, norte do Estado, de um adolescente visivelmente machucado pedindo perdão à Polícia Militar (PM) está repercutindo nas redes sociais. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil da cidade e foi relatado à Corregedoria da PM, em Goiânia. As agressões ao garoto, de 14 anos, foram motivadas por uma frase pichada em um muro, xingando a GPT.Nas imagens, o adolescente chora atrás de uma viatura, enquanto repete as palavras ditas por um homem. “Nunca mais eu mexo com isso”, diz o garoto entre soluços. Ele é negro, veste chinelos de dedo, short tactel e um moletom marrom surrado. A ação seria uma vingança a uma pichação com palavrões ao GPT feita pelo adolescente em um bairro da periferia da cidade, conhecido como Solta Gato. O vídeo teria sido gravado na tarde de segunda-feira, 13.“Ele consegue cativar algumas pessoas, acaba sendo acolhido por uma parte da comunidade. Diria assim, alguns amam e outros odeiam” - delegado de UruaçuAbandonado pela mãe e criado pela avó em parte da infância, o adolescente seria usuário de crack e praticaria pequenos roubos e furtos para sustentar o vício. Segundo o delegado que apura o caso, Cássio Arantes do Nascimento, o adolescente disse em depoimento que já foi parar na polícia 32 vezes.Apesar do envolvimento com atos infracionais, o adolescente angaria simpatia em alguns lugares em que passa e é muito conhecido na cidade. “Ele consegue cativar algumas pessoas, acaba sendo acolhido por uma parte da comunidade. Diria assim, alguns amam e outros odeiam”, define o delegado Arantes.O inquérito para investigar o caso foi aberto pela Polícia Civil a pedido do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) em Uruaçu. O adolescente foi ouvido pelo delegado na sexta-feira, 17, e os policiais que teriam feito o vídeo devem ser ouvidos na segunda-feira. “A hipótese inicial do inquérito é de crime de tortura”, pontua o delegado.O comandante do batalhão da PM em Uruaçu, coronel Waldir Rodrigues de Lira, disse à reportagem que a atitude dos policiais investigados não está de acordo com a recomendação institucional e do comando. “Foi tudo passado para a Corregedoria, já passei as coisas para a frente. Deixa a investigação apurar”, disse.Prefeitura se posicionaO caso chamou a atenção do prefeito da cidade, Valmir Pedro (PSDB), que realizou uma reunião com representantes da PM e a vítima na tarde de quinta-feira, 16. Na ocasião, disse que o caso seria apurado e levado à Corregedoria da PM. No entanto, parte da população da cidade não gostou da atitude do prefeito.Na página de Valmir no Facebook, usuários da rede social criticaram a defesa do prefeito ao adolescente e a publicação informando sobre a reunião foi excluída.Valmir conta que conheceu o adolescente depois de um comício durante a campanha das eleições municipais do ano passado. O adolescente teria pedido uma carona e dito que estava com fome. Na época candidato, Valmir comprou um lanche para o garoto, que contou sua história de vida. “Ele não é assassino, nem traficante, ele rouba pequenas coisas para sustentar o vício”, afirma o prefeito, que diz ter mantido, desde então, contatos esporádicos com o adolescente, sempre incentivando-o a sair das drogas.Enquanto conversava com a reportagem por telefone, Valmir reiterava sempre que tinha muito respeito e admiração pelas Polícias Civil e Militar. “Traficante tem que apanhar da polícia mesmo ir para a cadeia, mas ali se tratava de um adolescente e um usuário, temos que distinguir usuário de traficante. De maneira nenhuma eu atacaria a polícia”.Não é a primeira vez que o garoto tem vídeos com sua imagem repercutindo nas redes. Em setembro do ano passado, uma outra gravação, bem diferente, mostra o adolescente sorrindo, cantando a música Lá no meu barraco do Mc Pikachu. “Menino aí tem talento, só falta a oportunidade”, diz a descrição do vídeo no Youtube, que teve mais de 2 mil visualizações.