Cidades

Passageiros criticam rampas

Solução adotada no Terminal Vera Cruz já provocou pelo menos dois acidentes

Sebastião Nogueira
Auxiliadas, passageiras desembarcam de ônibus: distância entre veículo e rampa é pelo menos 50 centímetros

Os usuários identificam os aparelhos como “bretes” - aquelas rampas usadas em fazendas para embarcar o gado em caminhões. Técnicos que atuam no transporte coletivo metropolitano chamam de “plataformas provisórias”. O fato é que as rampas instaladas ontem no Terminal Vera Cruz, na Região Noroeste de Goiânia, são forradas com madeira, algumas velhas e quebradas, e montadas sobre estruturas metálicas por vezes enferrujadas. Elas servem para embarque e desembarque dos passageiros nos ônibus do Eixo Anhanguera.

A solução foi vista como necessária depois que a aposta de usar uma única porta no fundo do ônibus articulado da Metrobus, do lado direito do motorista, não funcionou. Isso porque a quantidade de pessoas que estavam no Terminal Vera Cruz era muito maior que a capacidade da porta. Nenhum usuário dos bairros da região pôde chegar diretamente ao Terminal Padre Pelágio, como ocorria até o último sábado.

Ao subir ou descer das plataformas, era raro o usuário que não tecia qualquer comentário de medo ou indignação pela solução encontrada - expressões como: “Isso é para inglês ver”, “Um absurdo”, “Qualquer hora isso cai”, “Só vão arrumar quando alguém morrer”, “Tratam a gente como boi”. Apenas na manhã de ontem, foram registradas duas quedas no local, já que os veículos não conseguem se aproximar das plataformas, criando um espaço de pelo menos 50 centímetros.

Socorro do Samu

Uma mulher teve de ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), depois de ter caído no vão. O problema se torna ainda mais preocupante porque o espaço é usado indiscriminadamente. Crianças de até 6 anos, idosos, cadeirantes e outras pessoas com mobilidade reduzida sofrem um risco ainda maior, mesmo com a ajuda de organizadores de fila. Nos horários de pico, devido à aglomeração, a ameaça de um acidente é maior.

A reportagem atestou que há marcações no chão e com cones que mostram a direção e o local onde os motoristas dos veículos devem parar para que as plataformas fiquem frente às portas. O problema é que os condutores têm de fazer uma curva fechada para entrar no terminal, tornando a manobra complicada. Desta forma, entre as quatro portas, a primeira é a que fica melhor posicionada, logo em frente às plataformas. A última, no entanto, fica muitas vezes longe das plataformas, impossibilitando o embarque.

Outro problema é a estrutura em si, que há muito tempo é utilizada pela Metrobus em operações extraordinárias, como a Festa do Divino Pai Eterno, em Trindade, eventos no Estádio Serra Dourada ou na Praça Cívica. Muitas das ripas de madeiras estão quebradas e a estrutura metálica balança quando os usuários sobem ou se apoiam. Em frente ao meio-fio do Terminal Vera Cruz, por exemplo, há três bases de ferro, cada uma com dois locais para parafusos, mas, dos seis possíveis, apenas dois prendem a estrutura.

“Iguais a bois”

Trabalhador de um frigorífico, André Luiz Carvalho Silvestre, de 32 anos, acredita que não há condições de manter as plataformas no Terminal Vera Cruz. “Estamos sendo tratados iguais aos bois lá do lugar que trabalho”, diz.

Ele reclama ainda mais das mudanças na operação das linhas: elas o obrigoram a usar mais um ônibus para chegar ao trabalho. “Antes eu saia de casa às 6h30, pegava um ônibus no Jardins do Cerrado VII, parava no Padre Pelágio e ia direto para o trabalho. Agora tenho que acordar às 5h45, pegar um coletivo, descer no Vera Cruz, pegar o Eixo até o Padre Pelágio e só depois pegar o outro. É muito pior”, relata.

Soluções imediatistas no Eixo Anhanguera
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