Cidades

Pai de crianças mortas em incêndio dentro de casa em Goiás é autuado por homicídio culposo

Muito abalados, pais respondem pelo crime porque as crianças estavam sozinhas; vela pode ter provocado fogo

Divulgação/Corpo de Bombeiros

O pai das crianças que morreram na madrugada deste sábado (12) em um incêndio no Setor Parque Lago, na periferia de Formosa, Entorno de Brasília, foi autuado por homicídio culposo, que é quando não há intenção de matar. Ele chegou a ser detido pela Polícia Militar (PM) e foi liberado após pagar fiança. Já a mãe tem 17 anos e vai responder ao ato infracional em liberdade.    

As crianças, um bebê de um ano, e sua irmã, uma menina de 3 anos, estavam sozinhas quando o fogo começou.O Corpo de Bombeiros foi acionado às 1h18, mas quando chegou ao local, vizinhos já haviam controlado o incêndio, que foi de pequena proporção. Apenas uma cômoda e parte do colchão onde as vítimas dormiam foram atingidas pelas chamas. A equipe apenas fez o rescaldo, que é o combate a novos focos de fogo. Dois veículos do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) chegaram a atender as crianças, que não resistiram.

Segundo a Polícia Civil, a princípio, a dinâmica do caso leva a entender que as vítimas morreram de intoxicação por conta da fumaça, mas um laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve confirmar a causa dos óbitos. Os corpos ainda não haviam sido liberados para a funerária até as 13h30 de ontem.

Em depoimento, os pais contaram que saíram de casa, ainda na noite de sexta, para pegar brinquedos na casa de um vizinho, que havia prometido uma doação. Levaram junto um terceiro filho, um bebê recém-nascido. No momento do incêndio, eles estariam fora havia cerca de 2 horas.

Uma vela deixada sobre a cômoda sem nenhuma proteção isolante pode ser o que provocou o incêndio. Segundo os pais, a família está sem luz elétrica há 9 meses por não terem condições de pagar a conta de energia. A casa onde o incêndio aconteceu é bastante pequena, com poucos cômodos e móveis.

O delegado Danilo Menezes da 11ª Delegacia Regional de Polícia Civil do Estado de Goiás, que estava de plantão na manhã deste sábado, contou que tanto o pai como a mãe estavam muito abalados, chorando muito, ao ponto de terem dificuldade de conversar.  

A delegada Maria Isabel foi quem acompanhou a perícia na madrugada do incêndio. Segundo Menezes, ela deve decidir ainda essa semana se vai investigar o caso, ou se ele vai ser repassado para o Grupo de Investigação de Homicídios. Ela autuou os pais por homicídio culposo, por entender que houve negligência ao deixarem as crianças sozinhas na residência.  

A reportagem tentou entrar em contato com uma tia-avó das vítimas. Um homem que atendeu ao celular disse que a família estava em choque, em luto e preferia não entrar em detalhes.

Já o tio-avô das crianças, o pedreiro Luiz Ferreira de Souza, de 50 anos, que morava próximo ao local do incêndio, lembrou da alegria da sobrinha de três anos. “Ela era muito sabida, muito esperta, uma benção de Deus. Todos os dois, eles eram um amor de pessoa”, conta.

O major do Corpo de Bombeiros de Formosa, Major Bráulio Flores, que atendeu ao caso, chamou a atenção de duas questões sobre emergências de incêndio: Para que a população se lembre sempre de acionar os bombeiros primeiramente, mesmo quando há vítimas, e para que as pessoas tenham cuidado redobrado ao utilizar velas. “Não dá para deixar uma vela acesa sozinha, isso é muito perigoso. Pode bater vento a chama levar calor para um lado ou acontecer da vela cair”, alertou.

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