Cidades

Organização Social planeja fechar unidade de terapia intensiva do HDT

Cristiano Borges
Obra de ampliação do HDT: iniciado em abril de 2013, com previsão de término em um ano, prédio segue inconcluso após três anos

O Instituto Sócrates Guanaes (ISG), Organização Social que administra o Hospital de Doenças Tropicais (HDT) desde junho de 2012, pretende fechar a UTI Pediátrica da unidade e terceirizar a UTI e a Emergência. A medida prevê ainda a transferência de médicos concursados.

A intenção foi comunicada aos médicos do hospital, que estão revoltados com a mudança, segundo um profissional ouvido pelo POPULAR e que não quer ser identificado. De acordo com ele, a medida, que visa reduzir custos, já está em curso. Só na semana passada 23 servidores teriam sido transferidos para outros órgãos estaduais; o departamento administrativo, terceirizado.

O corpo médico do HDT é composto em 70% de médicos efetivos, afirma o denunciante. Nos últimos anos, segundo ele, os profissionais se especializaram nas duas áreas médicas em que o hospital é referência no País: doenças infecciosas e dermatológicas. “Nossa Emergência é altamente especializada em infectologia e querem trocar as equipes por médicos emergencistas”, critica.

O fechamento da UTI Pediátrica, que está com dois dos seis leitos desativados, também causa estranheza ao corpo médico, uma vez que o HDT vinha ampliando sua capacidade de atendimento. Para a obra de ampliação, que teve início em abril de 2013 e deveria ser entregue em 360 dias, o governo repassou R$ 2,3 milhões ao ISG entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014, conforme o Portal Transparência do Estado.

Sem dinheiro

A interrupção das obras foi tema de reportagem do POPULAR em fevereiro. Na ocasião, a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) informou que aguardava dinheiro para dar continuidade à obra, mas que não havia previsão de repasses por parte da Secretaria da Fazenda (Sefaz).

Segundo o médico ouvido pelo jornal, com a ampliação, seriam construídos leitos individuais, uma vez que a maioria dos pacientes do hospital é portador de alguma doença contagiosa e precisa ficar isolado, mesmo em quartos de enfermaria, que geralmente são duplos ou triplos. Alguns quartos com apenas um leito ocupado em razão do risco de contaminação dão a falsa impressão de ociosidade, o que não há no HDT, garante o profissional.

Cristiano Borges
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não informado
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