Cidades

José Eliton mira a sucessão em 2018

Aliados mais próximos do vice-governador defendiam que ele deixasse a SSP por considerar que a complexidade da pasta poderia prejudicar a pré-candidatura

Wildes Barbosa
José Eliton

Os planos de visitar metade dos municípios em 2017 e comandar o programa de aplicação dos recursos da venda da Celg deixam claro o principal motivo da saída do vice-governador José Eliton (PSDB) da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Goiás, anunciada ontem: se afastar de desgastes e criar agenda positiva para se fortalecer para a sucessão de 2018.

Tanto o governador Marconi Perillo (PSDB) como o vice-governador adotaram tom político nos discursos. “O nosso R$ 1,1 bilhão (da Celg) já está guardadinho, para desespero da oposição. Vamos investir em benefícios, de forma planejada”, afirmou Marconi, ao anunciar a despedida de Eliton da SSP. “Ele vai se dedicar, ao meu lado, aos prefeitos e municípios. Vai ficar livre para me ajudar a estar presente em cada canto do Estado.”

Em entrevista coletiva, Eliton falou abertamente que agora terá condições de estabelecer uma agenda de preparação para 2018 e de discussão com partidos da base governista. A falta de articulação com siglas aliadas, que mostram-se cada vez mais dispersas, e de contatos com lideranças no interior é apontada como desafio político do vice-governador para garantir a candidatura à sucessão.

Há pelo menos quatro meses, aliados mais próximos de Eliton defendiam que ele deixasse a SSP por considerar que a complexidade da pasta e imprevisibilidade do setor poderiam prejudicar a pré-candidatura. O vice-governador resistia à ideia, alegando que esperaria anunciar concursos e alcançar índices positivos de redução da criminalidade para alegar que havia cumprido a missão que assumiu há apenas nove meses.

Nos últimos cinco dias, Eliton revelou a poucos interlocutores que refletiu e considerava um bom momento para sair. Com o gancho da venda da Celg e entrada de cerca de R$ 800 milhões líquidos no Tesouro Estadual, ele acertou com o governador a saída. O fim do inquérito sobre o atentado em Itumbiara, em que Eliton foi ferido, também teria colaborado para a decisão.

O anúncio, feito por Marconi em evento com prefeitos para liberação de recursos da área de saúde, pela manhã, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, deixou muitos governistas surpresos. Embora já houvesse especulações da saída, a maior parte dos aliados diz que não estava prevista para ontem e que esperava que houvesse a escolha do substituto de Eliton primeiro. Ontem, três nomes eram cotados para comandar a SSP (leia na página 13).

Eliton deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para assumir a SSP, no lugar de Joaquim Mesquita. À época, o governador alegou necessidade de “fortalecimento institucional imediato” da área. Governistas citavam exemplos de secretários do setor que ganharam peso político, inclusive o ex-senador Demóstenes Torres.

A avaliação é que a crise nacional prejudica o setor e resultados positivos não aparecem em curto prazo, o que atrapalha os planos políticos de Eliton. Além disso, o episódio da nova fase da Operação Sexto Mandamento, mês passado, quando ele se exaltou, reforçou o argumento da imprevisibilidade na pasta. Intenção do governo é criar uma identidade e lançar um plano de aplicação dos recursos da Celg, com nome ainda não definido, para dar mais visibilidade a Eliton e transparência à destinação do dinheiro da privatização.

Nove meses de secretaria
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