Cidades

Goiás é o primeiro em ocorrências de porte ilegal de armas de fogo

O Estado teve uma taxa de 82,2 ocorrências por 100 mil habitantes no ano de 2015, muito à frente do segundo colocado, o Mato Grosso, com 57,5

Goiás é o estado brasileiro com mais ocorrências de apreensão de armas de fogo, segundo o Datacrime, plataforma lançada em março pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP). O Estado teve uma taxa de 82,2 ocorrências por 100 mil habitantes no ano de 2015, muito à frente do segundo colocado, o Mato Grosso, com 57,5. Segundo especialistas, várias situações e fatores podem justificar, em conjunto, a quantidade de ocorrências de porte ilegal de arma de fogo.

Cabe ressaltar que os números representam os registros ao crime e não a quantidade de armas apreendidas, já que em uma mesma ocorrência mais de um objeto pode estar presente. Isso serve tanto para os dados do Datacrime quanto para a estatística da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP). O advogado criminalista Pedro Paulo Guerra de Medeiros acredita que o levantamento dos dados, por si só, não explica a realidade do País, mas é possível estabelecer o que pode levar à situação.

Para ele, um conjunto de justificativas pode levar ao entendimento de Goiás ter mais ocorrências de porte ilegal de armas de fogo. “Em tese, pode-se ter uma polícia mais eficiente, assim como pode ser a entrada mais fácil de armas no Estado, por ter fronteiras menos seguras. Outro ponto é que temos, historicamente, famílias de cultura mais rural, que possuem armas, e também uma situação de insegurança que leva as pessoas a quererem se proteger, usando a segurança privada ou comprado armas ilegais”, diz.

Medeiros acredita que o desarmamento é positivo. “Não tenho dúvidas de que o desarmamento é melhor. Respeito o direito da pessoa de querer se defender por si só, mas não é só defesa, a arma também é ataque.”

A posição é também defendida pelo advogado e delegado de polícia aposentado, Edemundo Dias. No entanto, ele acredita que é alto o número de armas no Estado e que isso ocorre pelos altos índices de criminalidade, que levou as pessoas a procurarem mais armas. “Há coisas que reforçam, como o incremento da segurança privada, que aumenta a cada ano e mostra que a pessoa busca se defender.”

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