Cidades

Criminosos raspam as cabeças de mulheres como castigo em áreas dominadas pelo tráfico

Em vídeos que circularam na internet recentemente, mulheres são torturadas e humilhadas

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Vítimas da Ladeira dos Tabajaras, no Rio de Janeiro
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Mulher tem os cabelos cortados em Feira de Santana, Bahia

Três mulheres com as cabeças e sobrancelhas raspadas aparecem em um vídeo sendo interrogadas por traficantes da Ladeira dos Tabajaras, na zona sul do Rio de Janeiro. O caso aconteceu no último dia 5 de novembro, em uma região dominada pelo Comando Vermelho. O lugar possui uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) desde 2010.

Na cidade de Feira de Santana, distante 92 km de Salvador, uma mulher grávida foi submetida a torturas por traficantes da "Catiara", uma das facções criminosas da Bahia. A mulher estava sendo punida por ter se envolvido com um traficante de uma facção rival. No vídeo, a mulher é obrigada a repetir por várias vezes os gritos de guerra da facção Catiara, enquanto tem cabelos cortados no meio da rua de um bairro periférico da cidade. O caso aconteceu no bairro de Queimadinha, no mês de outubro.

O site UOL teve acesso aos dois vídeos recentes em que mulheres são submetidas a humilhações e torturas nas favelas do Rio e da Bahia.

Por meio de nota emitida por sua assessoria, a Polícia Civil do Rio informou que as vítimas que são vistas no vídeo foram convocadas novamente para depor. Nas imagens, é possível identificar dois nomes de traficantes que atuam naquela localidade, sendo que um deles já foi identificado, após a realização de um trabalho de inteligência por policiais civis da 12ª DP.

A Defensoria Pública propôs que as garotas fizessem parte do programa de proteção à testemunha, mas elas recusaram. Alegaram que não querem se afastar da família. Segundo informações apuradas pelo site UOL.

A Secretaria da Segurança Pública da Bahia foi procurada para prestar esclarecimentos sobre o caso e informou, com base em análises da Superintendência de Inteligência, que a vítima não quis prestar depoimento à delegacia sobre a agressão sofrida. Uma investigação foi aberta para identificar os agressores.

A promotoria de Segurança Pública da Bahia disse que chegam relatos de mulheres que moram em comunidades dominadas e sofrem violência, mas evitam acionar as autoridades, pois os traficantes proíbem a presença da polícia no local. Há relatos de outras vítimas que chegam a denunciar o agressor e recebem proteção policial, mas precisam se mudar por causa das ameaças dos traficantes.

No estado carioca, o Disque-Denúncia registrou 27 denúncias de mulheres torturadas por traficantes desde o ano de 2013. Conforme relatos anônimos que chegam ao serviço, as adolescentes são as maiores vítimas da ação dos criminosos.

Em áreas dominadas pelo tráfico, os criminosos estabelecem as leis e os castigos para quem as infringe. No caso das mulheres, namorar pessoas de comunidades rivais, repassar informações sobre atividades dos traficantes à polícia, dever para os traficantes e até brigar em bailes são considerados motivos para aplicação deste tipo de tortura.

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