Cidades

Comunidade pede que Corumbá de Goiás seja excluída de projeto que cria o Estado do Entorno

Grupo quer que projeto seja alterado antes mesmo da aprovação no plenário da Câmara dos deputados

Cristiano Borges
Rua com casas antigas em Corumbá de Goiás, cujos moradores são contra integrar possível novo Estado

Fazer parte do novo Estado do Entorno, conforme projeto 246/15 do deputado Célio Silveira (PSDB), não está nos planos de moradores e lideranças culturais e políticas de Corumbá de Goiás. Reunião na tarde de ontem traçou estratégias para que a cidade seja retirada da lista dos 18 municípios que devem compor a unidade federativa, caso o projeto seja concluído.

Presidente da Associação de Cultura e Defesa do Patrimônio Histórico de Corumbá de Goiás, Maria do Carmo Gouveia de Morais enfatiza que o manifesto não é propriamente contra a criação do novo Estado, mas pela retirada dessa cidade da lista. “Não entramos no mérito da necessidade da criação de um novo estado naquela região, mas nossa relação é com Anápolis e Goiânia.”

No projeto de Silveira, conforme publicou o POPULAR no dia 11 de abril, uma das justificativas para a criação do novo Estado é que a região “vivencia dificuldades, especialmente pela distância entre o centro administrativo do Estado e os municípios”. Com isso, faltam recursos e rede de atendimento para a população dessas cidades.

Servidora pública, Ana Ruth Fleury Curado também critica a inclusão de Corumbá na lista. Ela ressalta que a distância entre Corumbá e Anápolis é de 45 km e do município até a capital é de 115 quilômetros. “Não justifica que nosso morador tenha de mudar sua vida e passar a buscar serviços e apoio em uma cidade a quase 200 quilômetros.”

O projeto também cita que uma consulta pública foi realizada questionando o desmembramento e obteve 70% de aprovação. Mas a empresária Christiane Pavelkonski reclama da falta de informação sobre o projeto. “Não houve pesquisa aqui. Moramos numa cidade pequena, ninguém foi perguntado sobre essa inclusão na lista. Isso teria virado assunto entre os moradores. Não queremos mudar nossas questões históricas e culturais. Temos quase 300 anos e nossa ligação é com Goiás e assim devemos continuar.”

O maestro e líder cultural da cidade, Mamede Silvério Melo também questiona a inclusão de Corumbá no novo Estado. “Nossas tradições com as cavalhadas são muito fortes. A criação de um Estado novo pode ser relevante para as questões de desenvolvimento, mas deveria incluir só municípios limítrofes. Não temos essa ligação.”

Político

A presidente da associação, Maria do Carmo, procurou a Prefeitura e a Câmara para tratar o assunto. Na reunião realizada ontem à tarde na Câmara da cidade, foi definido que um manifesto público será encaminhado aos deputados federais que têm representatividade na região. O presidente da Câmara municipal de Corumbá, Francisco Igor, o Chiquinho, deve visitar os parlamentares no começo da próxima semana. O documento tem a assinatura do prefeito, presidente da Câmara, vereadores e sociedade civil organizada.

O prefeito Célio Fleury também é contra ser parte do novo Estado. “Vamos mobilizar e pedir a exclusão da nossa cidade dessa lista.” O prefeito cita que Anápolis e Goiânia são os municípios que dão suporte para a cidade em questões de saúde, educação e no que mais precisam.

Além disso, ressalta que a cidade não faz parte das estatísticas de crescimento do Entorno, que tem média cinco vezes maior que a nacional. “Nossa cidade se mantém com a mesma média populacional.” Além disso, ressalta que a cidade não figura nas estatísticas ligadas à violência. “Nem mesmo as políticas públicas adotadas para aquelas cidades se encaixariam aqui.”

A considerar que a nova capital seria a cidade de Luziânia, o prefeito diz que passaria a enfrentar o mesmo problema que as cidades listadas passam hoje. “Corumbá, que fica a uma hora de Goiânia, passaria a ficar a mais de duas horas da nova capital. Talvez não teríamos o mesmo apoio e suporte.”

Campanha

A intenção do grupo é mobilizar o maior número de pessoas, tanto de Corumbá quanto de outras cidades, para que o projeto seja alterado antes mesmo da aprovação no plenário da Câmara dos deputados. Também deverá ser lançada uma campanha nas redes sociais para que a população se manifeste e se posicione sobre o tema.

Padres, pastores evangélicos, lideranças comerciais, culturais e políticas também foram acionadas para discutir o assunto. “Sabemos que ainda deverá haver um plebiscito, mas antes mesmo que isso ocorra, queremos ser excluídos da lista”, destaca a presidente da Associação de Cultura, Maria do Carmo.

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